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quarta-feira, 7 de maio de 2025

BALNEÁRIO

22.10.2008. 


Sucedânio de minhas próprias substituições 

Fornido de espectrais abstrações às vezes tão reais 

Existe o real apenas nesse devaneio de paraísos 

Sinto meus pés nas águas suaves do mar 

Sentado; cadeira nessa areia de uma praia do Mediterrâneo 

Verão Espanha; laptop no colo 

Pedras que se moldam ao bater secular das ondas 

Ordoviciano nesses crustáceos vermelhos 

Ora moderno nessas placas e hardwares 

Vento brando em meu peito despreocupado 

Pele branca de pêlos quase brancos 

Garatujas de tipográficas formulações sucedidas 

Meu relógio marca as horas de um outro hemisfério 

Não li jornal nem vi televisão 

Cabe-me gastar um pouco de vida nessa cadeira 

Cabe-me gastar um pouco de vida nessa praia 

Paradigma de um ser aceito, modelo de bon vivant 

Assim nesse balneário europeu 

Eu, refratário de raios vermelhos 

Eu, pele vermelha de um lugar selvagem 

Eu, caranguejo, um crustáceo vermelho 

Num futuro próximo!


Marcelo Braga

 
 
 





















 

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