20.10.05.
Escute, calma, tente ouvir minha versão
Ouça passo a passo, não se interponha
Não conclua precipitadamente
Nem tente ler minhas entrelinhas
Não se perca em deduções infundadas
Preciso falar e repor meu fôlego
Continuar falando e depois falar mais um pouco
Não me aqueça, nem tente me gelar
Não me aproxime, nem tente me afastar
Não me encoraje, nem tente me desencorajar
Não me resguarde, nem tente me abandonar
Se anule quando eu tanto precisar de mim
Se ponha presente quando eu tanto precisar da solidão
Conviver com meus fantasmas é ruim
Mas eles existem e são vários
O que posso fazer?
Escute, calma, tente ouvir minha versão
Não perca a ponta do fio da meada
Acompanhe meus capítulos
Não precisa gostar
Mas não me odeie tanto assim
Algo como nos dar chance
Algo como transpor a primeira de muitas
Algo como esforço repetitivo sem lesão
Algo como nos conhecer
Não diga: não entendo nada!
Não diga: eu entendo bem!
Não diga: o amor acaba!
Não diga que é insegurança
Se não eu tropeço também
Nada é tão grave e difícil assim
Nada é tão simples e fácil assim
Os dias passam, semanas, meses e
O tempo promove coisas
Que se encontram, se encaixam
Sou assim mesmo, complicado e prático
Sensível, apático
Deixe essa Lua passar
(virão outras piores)
Acho que vale a pena penar
Serás a primeira a me entender
Eu sei o que faço de mim
Não sou tão frágil assim
Nem nunca fui forte
Escute, calma, tente ouvir meu coração
Ele existe, ele bate, ele insufla
Ele bate com pedaços de paus
Ele luta com espadas enferrujadas
Ele brilha com ouros
Ele se vê pelas copas
Não sou tão burro assim...
Marcelo Braga
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