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sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

Vacinas de Abstinência 25/33 - Teoria do Nível dos Efeitos da Recaída


 

Será que os efeitos produzidos pela recaída são os mesmos para todos abstêmios que recaem? Existe gradação nos efeitos da recaída? Nesse breve estudo vamos discutir essa temática.

 

O processo de recaída consiste numa sequência concatenada de atos/fatos em que somente a última etapa consiste no (re)uso de drogas/álcool. Em outras palavras, o PROCESSO DE RECAÍDA possui as seguintes   etapas:   FATOS   COGNITIVOS   PERMISSIVOS,   FATOS COGNITIVOS ESTRATÉGICOS, FATOS AUXILIADORES ANTECEDENTES, REINTOXICAÇÃO EMOCIONAL e, por último REINTOXICAÇÃO FÍSICA.


 

Agora, imagine duas situações distintas:

·   Na situação “A” o abstêmio possui 20 anos de abstinência, recaiu (reintoxicou-se fisicamente), mas essa recaída foi prolongada por vários dias, houve uso de drogas/álcool de maneira intensa e foram gerados diversos efeitos secundários: prisão por roubo, dívidas contraídas para sustentar o vício e agravamento de comorbidades.

·   Na situação “B” o abstêmio possui somente três anos de abstinência e recaiu (reintoxicou-se). Contudo, essa reintoxicação foi muito breve, com pequena intensidade e não houve maiores efeitos secundários.

 

Pergunto: as duas recaídas foram iguais? Quem tem menos tempo de abstinência (situação “B”) terá mais dificuldade de retornar ao processo de abstinência? Vamos responder essas questões.

 

Antes de tudo, vamos fixar a seguinte tese: TODO PROCESSO DE RECAÍDA É GRAVÍSSIMO E ESSA PREMISSA É IRREFUTÁVEL. DESSE MODO,  NÃO  PODEMOS  BANALIZAR  NENHUMA  REINTOXICAÇÃO

FÍSICA. Porém, existem efeitos que são gerados pelo processo de recaída que podem ser mensurados. Esses efeitos correspondem aos fatos ocorridos durante a recaída (critério objetivo) e período de tempo de exposição às drogas/álcool (critério cronológico). Assim, sendo, podemos classificar os efeitos da recaída em três classes: GRAVÍSSIMOS, GRAVES MODERADOS.

 


Os EFEITOS GRAVÍSSIMOS correspondem, além da recaída em si, aos fatos que não cessarão com o simples transcurso da abstinência. Por exemplo, a recaída perdurou por muitos dias, meses ou anos, houve instauração de processo penal decorrente de crime praticado durante a recaída, ocorreu à morte de terceiros ou surgiram novas comorbidades incuráveis devido à recaída.

 

Por sua vez, os EFEITOS GRAVES correspondem aos fatos que foram praticados durante a recaída e que repercutiram nas conquistas alcançadas pelo período anterior de abstinência. Por exemplo, a pessoa possuía um bom emprego, finanças equilibradas e afetividade reconstituída, mas, devido ao processo de recaída, perdeu tudo o que tinha adquirido.

 

Por último, os EFEITOS MODERADOS correspondem aos fatos que foram causados durante o processo de recaída, mas que serão amenizados ou superados pelo simples transcurso do novo período abstêmio. Por exemplo, a pessoa não gastou muitas economias, não sofreu o agravamento de nenhuma comorbidade ou ficou recaída por pouquíssimo período.

 

Por fim, para conseguir compreender os efeitos gerados pela recaída, é preciso fazer uma correlação com o período em que a pessoa permaneceu recaída, ou seja, o tempo a que ela se submeteu ao antigo S.I.A. negativo. Dessa forma, a recaída com LONGO PERÍODO pode corresponder aos efeitos GRAVÍSSIMOS. Por sua vez, a recaída que perdure ALGUNS DIAS OU HORAS pode ser de efeito GRAVE. E, por último, a recaída que corresponder a apenas ALGUNS MINUTOS pode ter efeitos MODERADOS. Entretanto, em alguns casos, é preciso analisar o contexto de forma global (critério objetivo + critério cronológico) para poder classificar a recaída, já que uma recaída que perdure por 20 (vinte) minutos pode resultar em prisão em flagrante ou overdose e isso gerará efeitos gravíssimos. Basta imaginar o caso – muito comum – do abstêmio que recai e, para poder consumir drogas/álcool, pratica um roubo malsucedido que culmina com sua prisão pela polícia.

 


Respondendo as questões apresentadas no decorrer desse estudo teremos o seguinte quadro:

·           Será que os efeitos produzidos pela recaída são os mesmos para todos abstêmios que recaem? Não. Existem efeitos gerados pela recaída e que variam conforme os fatos (critério objetivo) e o tempo de exposição (critério cronológico).

·           Existe gradação nos efeitos da recaída? Sim. O processo de recaída sempre será algo GRAVÍSSIMO e não pode ser banalizado. Porém, os efeitos gerados pela recaída podem ser mensurados em: GRAVÍSSIMOS, GRAVES ou MODERADOS.

·           As duas recaídas apresentadas como exemplo foram iguais? Não. A situação “A” possui efeitos mais deletérios podendo ser classificada como tendo EFEITOS GRAVÍSSIMOS. Por outro lado, a situação “B” pode ser compreendida como sendo uma recaída de EFEITOS MODERADOS.

·           Quem tem menos tempo de abstinência (situação “B”) terá mais dificuldade de retornar ao processo de abstinência? Nesse caso, não. A regra é que àqueles que possuem mais tempo de abstinência tendem a retornarem ao processo abstêmio com mais facilidade (TEORIA DO LASTRO ABSTÊMIO). Porém, nos exemplos citados isso está invertido de modo que o abstêmio com menos tempo de abstinência terá, em tese, mais facilidade de retornar ao processo de abstinência. Isso ocorre porque havia um NEXO DE DISPLICÊNCIA muito intenso entre o abstêmio da situação “A” e o seu próprio processo de abstinência (TEORIA DA DISSONÂNCIA PATENTE).


1 Tema apresentado no Livro e Ebook:

ZIEMMERMANN, Péricles. Teorias abstemiológicas. 1ª ed. Curitiba/PR: Edição do autor, 2019. 151 p.; 14 X 21 cm. ISBN: 978-85-924432-2-1. Distribuído pela Editora Simplíssimo.


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