Será que os efeitos
produzidos pela recaída
são os mesmos para todos
abstêmios que recaem? Existe gradação nos efeitos da recaída? Nesse breve
estudo vamos discutir essa temática.
O processo de recaída consiste numa sequência concatenada de atos/fatos em que somente a última etapa consiste no (re)uso de drogas/álcool. Em outras palavras, o PROCESSO DE RECAÍDA possui as seguintes etapas: FATOS COGNITIVOS PERMISSIVOS, FATOS COGNITIVOS ESTRATÉGICOS, FATOS AUXILIADORES ANTECEDENTES, REINTOXICAÇÃO EMOCIONAL e, por último REINTOXICAÇÃO FÍSICA.
Agora, imagine duas situações distintas:
· Na situação “A” o abstêmio
possui 20 anos de abstinência, recaiu (reintoxicou-se
fisicamente), mas essa recaída foi prolongada
por vários dias, houve uso de
drogas/álcool de maneira intensa e foram gerados diversos efeitos secundários:
prisão por roubo, dívidas contraídas para sustentar o vício e agravamento de
comorbidades.
· Na situação “B” o abstêmio possui somente três anos de
abstinência e recaiu (reintoxicou-se). Contudo, essa reintoxicação foi muito
breve, com pequena intensidade e não houve maiores efeitos secundários.
Pergunto:
as duas recaídas foram iguais? Quem tem menos tempo de abstinência (situação
“B”) terá mais dificuldade de retornar ao processo de abstinência? Vamos
responder essas questões.
Antes de
tudo, vamos fixar a seguinte tese: TODO PROCESSO DE RECAÍDA É GRAVÍSSIMO E ESSA
PREMISSA É IRREFUTÁVEL. DESSE MODO, NÃO PODEMOS BANALIZAR NENHUMA REINTOXICAÇÃO
FÍSICA. Porém, existem efeitos
que são gerados pelo processo de recaída que podem ser mensurados. Esses
efeitos correspondem aos fatos ocorridos durante a recaída (critério objetivo) e período
de tempo de exposição às
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Os EFEITOS GRAVÍSSIMOS correspondem, além da recaída em si, aos fatos que não cessarão com o simples transcurso da abstinência. Por exemplo, a recaída perdurou por muitos dias, meses ou anos, houve instauração de processo penal decorrente de crime praticado durante a recaída, ocorreu à morte de terceiros ou surgiram novas comorbidades incuráveis devido à recaída.
Por sua
vez, os EFEITOS GRAVES correspondem aos fatos que foram praticados durante a recaída e que repercutiram nas
conquistas alcançadas pelo período anterior de abstinência. Por exemplo, a
pessoa possuía um bom emprego, finanças
equilibradas e afetividade reconstituída, mas, devido ao processo de recaída, perdeu
tudo o que tinha adquirido.
Por último,
os EFEITOS MODERADOS correspondem aos fatos que foram causados durante o processo
de recaída, mas que serão amenizados ou superados pelo simples transcurso do
novo período abstêmio. Por exemplo, a pessoa não gastou muitas economias, não
sofreu o agravamento de nenhuma comorbidade ou ficou recaída por pouquíssimo
período.
Por fim, para conseguir compreender os efeitos
gerados pela recaída, é preciso fazer uma correlação
com o período em que a pessoa permaneceu recaída, ou seja, o tempo a que ela se submeteu
ao antigo S.I.A. negativo.
Dessa forma, a recaída com LONGO PERÍODO
pode corresponder aos efeitos GRAVÍSSIMOS. Por sua vez, a recaída
que perdure ALGUNS DIAS
OU HORAS pode ser de efeito GRAVE. E, por último, a recaída que corresponder a apenas ALGUNS MINUTOS pode
ter efeitos MODERADOS. Entretanto, em alguns casos, é preciso analisar o
contexto de forma global (critério objetivo + critério cronológico) para poder classificar a recaída, já que uma recaída que perdure por 20 (vinte)
minutos pode resultar em prisão em flagrante ou overdose e isso gerará efeitos
gravíssimos. Basta imaginar o caso – muito comum – do abstêmio que recai e,
para poder consumir drogas/álcool, pratica
um roubo malsucedido que culmina
com sua prisão pela polícia.
Respondendo
as questões apresentadas no decorrer desse estudo teremos o seguinte quadro:
·
Será que os efeitos
produzidos pela recaída
são os mesmos para todos abstêmios
que recaem? Não. Existem efeitos
gerados pela recaída e que variam conforme os fatos (critério objetivo)
e o tempo de exposição (critério cronológico).
·
Existe gradação
nos efeitos da recaída? Sim. O processo de recaída sempre será algo GRAVÍSSIMO
e não pode ser banalizado. Porém, os efeitos gerados pela recaída podem ser
mensurados em: GRAVÍSSIMOS, GRAVES ou MODERADOS.
·
As duas
recaídas apresentadas como exemplo foram iguais? Não. A situação “A” possui
efeitos mais deletérios podendo ser classificada como tendo EFEITOS
GRAVÍSSIMOS. Por outro lado, a situação “B” pode ser compreendida como
sendo uma recaída de EFEITOS MODERADOS.
·
Quem tem menos
tempo de abstinência (situação “B”) terá mais dificuldade de retornar ao
processo de abstinência? Nesse caso, não. A regra é que àqueles que possuem mais tempo de abstinência tendem a
retornarem ao processo abstêmio com mais facilidade (TEORIA DO LASTRO
ABSTÊMIO). Porém, nos exemplos citados isso está invertido de modo que o
abstêmio com menos tempo de abstinência terá, em tese, mais facilidade de
retornar ao processo de abstinência. Isso ocorre porque havia um NEXO DE
DISPLICÊNCIA muito intenso entre o abstêmio da situação “A” e o seu próprio processo de abstinência (TEORIA DA
DISSONÂNCIA PATENTE).
1 Tema apresentado no Livro e Ebook:
ZIEMMERMANN, Péricles. Teorias abstemiológicas. 1ª ed. Curitiba/PR: Edição do autor, 2019. 151 p.; 14 X 21 cm. ISBN: 978-85-924432-2-1. Distribuído pela Editora Simplíssimo.

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