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sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

NÃO COSTUMO SER ASSIM POR MAIS DE MEIA HORA

 16.01.06.


Essa vai durar meia hora; sons altissonantes que me elevam a alto

cume

Onde vejo restos desse lume que ameaça virar nova fogueira

Não posso virar novamente poeta da soleira, aquele ninguém que

nunca existiu


Perfaz-se da tímida caneta a horrendas teclas nesse computador que

tudo salva

Aquilo que penso “quebra-cabeceando” do escanteio tudo

embaralhado


Acho que é para que ninguém perceba

Que ainda sei amar, que ainda amo

Amo muito mais do que escrevo, muito mais do que reclamo


Meu ensejo

Aquilo que muito mal declamo nesse meu jeito de escrever insano

É sobejo que me farta nesse ano que perpetua toda possível

mudança


Andanças... Como andei por aí te “percurando”

Tórridos sertões enquanto zona norte eras; papa-goiaba


O queimar do gelo me trouxe de volta

As geladas cobertas e meu exagero

Minha certeza, a ausência do medo

Essa vai durar meia hora; Franz Von Suppé me apavora em

“El poeta y el aldeano”

Sair desse rio e te encontrar no frio

Sair do frio e voltar para esse Rio


Muito calor agora, sua barriga, suas pernas, seus seios, seus brios

Violino não gostas talvez

Piano me alucina tem vez

Agora você me aprisiona de vez


Essa vai durar meia hora, até que você chegue

Me veja assim sentado, calado, sem jeito, desfeito nesse amor que

sinto e

Pressinto que seja eterna enquanto eu poeta de novo sem jeito

Resolva de vez achar de novo meu passo, meu leito

Se é que se pode nessa vida viver aquele grande

Viver aquele enorme e infinito amor que meu pai falava:

“Não se pode ser homem e não vivê-lo”


Que seja sempre tudo começo

Será que mereço?

Começo, sempre começo achando que o eterno é sempre começo,

me conheço!


Não paro, não largo desse sonho, abocanho desde o começo

Tem meia hora que não desisto em ser feliz, feliz demais, demais,

demais


Você me apaixona com seus cuidados demais

Você me renasce das cinzas, das tumbas e sou assim por mais meia

hora

Um homem feliz por demais


Exista sempre Beliza!


(continue, sobreviva, exista!)


Marcelo Braga



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