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terça-feira, 10 de dezembro de 2024

IN GULA

 24.10.05.


Minhas mais nítidas imagens

As mais bem focadas fotos (como falo nesse assunto!)

Delatam-me contrário ao previsível

Crítico armado até os dentes

Universais conceitos-versus-pareceres pessoais

Subversivo ao lugar-comum

Inimigo do simples, do mero, do prático

Completamente besta (às vezes)

Mas são meus pilares

Meu sustentáculo


Transito entre destroços

Mundo indócil e doente

Eu mesmo por hora ingurgito lampejos de minha gula e

Devolvo em poesia a minha insatisfação


Gosto do mágico, do sublime, da criação

Do trágico, das arestas, da redenção

Adoraria andar à frente de meu tempo

Sou velho, embrutecido, sou século XVIII

Sem novas idéias de novas revoluções

Assim está o mundo, assim ele se tornou

Como se não estivesse em constante evolução

Eu sei que está

Mas parei no tempo, detive-me em minhas fábulas

Em meu repetitivo e infausto enfado

Ao lado dos comuns

Ao lado dos normais

Aqueles que se alimentam nos “fast-foods”

Bandejas arrumadas; está tudo pronto

Basta que se engula!


Marcelo Braga


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