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sábado, 30 de novembro de 2024

Vacinas de Abstinência 20/33 - Teoria da Inflexibilidade Racional ou Teoria das Zonas de Incertezas

 TEORIA DA INFLEXIBILIDADE RACIONAL OU TEORIA DAS ZONAS DE CERTEZAS1


Existem 03 (três) zonas de certeza no tratamento: Zona Positiva, Zona Negativa e Zona Cinzenta. O presente estudo se dedicará à zona de certeza positiva e à zona de certeza negativa2.

A flexibilidade conceitual é critério para a evolução consciencial do abstêmio. Entretanto, existem certos princípios, regras e conceitos que não admitem “nenhuma” flexibilidade. São regras inflexíveis, inalteráveis, imutáveis e devem ser interpretadas “quase” literalmente. A violação de tais regras causa a IMEDIATA recaída do abstêmio. Estas regras podem se situar em zona de certeza Positiva – que é aquilo que o abstêmio precisa fazer e se não fizer recairá imediatamente – ou zona de certeza Negativa – que é aquilo que o abstêmio não pode fazer e se fizer recairá imediatamente.

Na zona de certeza cinzenta estão certas regras e princípios que podem ser interpretados de modo diferente para cada abstêmio, conforme a natureza da sua adicção e história de vida. Aqui, será necessária flexibilidade conceitual e o abstêmio, no início, não possui essa percepção. Por isso, a zona de certeza cinzenta não interessa para esse estudo. Ficaremos com as zonas POSITIVA e NEGATIVA.

Identificar a natureza inflexível destas regras é fundamental para a manutenção da abstinência. Já que o abstêmio é “CABEÇA DURA” (teimoso), é muito mais didático discutir com ele quais são as regras inflexíveis do que entrar em zonas cinzentas, onde existem certas regras que podem ser interpretadas de modo equivocado.

Assim, sendo repetitivo, o presente estudo pretende apresentar regras, princípios e conceitos que são inflexíveis no tratamento, porque se forem violados geram a imediata recaída.


 

ZONAS DE CERTEZA

POSITIVA

O QUE O ABSTÊMIO DEVE FAZER

NEGATIVA

O QUE O ABSTÊMIO NÃO DEVE FAZER

Evitar o primeiro gole/dose

Não deve banalizar o autodiagnóstico

PRINCÍPIO DO “AQUI E AGORA” (HIC ET

NUNC): o que importa é o hoje e o momento.

por hoje. 24 (vinte e quatro) horas

 

Não deve manter a autopiedade

PRINCÍPIO DA PRIORIDADE: Esse princípio expressa a ideia da responsabilidade através da frase: “primeiro as primeiras coisas”. A maior responsabilidade e o objetivo prioritário no tratamento da adicção devem ser a

ABSTINÊNCIA

 

Não deve deixar de recordar o centro de todos os seus problemas. Qual é o centro (busílis) de todos os seus problemas?

PRINCÍPIO DA CONTINUIDADE (NATURA

NON FACIT SALTUS): o tratamento é contínuo. A natureza não saltos. Um dia por vez. Uma responsabilidade pequena hoje e uma responsabilidade maior amanhã

 

Não deve manter as companhias (in)evolutivas da drogadição

Deve ser responsável pelos seus atos (Passo Zero)

Não deve omitir-se de sua responsabilidade

PRINCÍPIO DA SUPORTABILIDADE DA

FISSURA: toda a fissura é suportável

Não deve se esquecer da estrutura bioquímica permanente da adicção

PRINCÍPIO DA REJEIÇÃO ABSOLUTA DE

QUALQUER RESERVA: é preciso que o abstêmio informe quais são suas reservas e que as coloque em constante colisão com as regras de conduta do processo de abstinência. A abstinência não permite ou tolera qualquer reserva mental que seja incoerente com sua natureza. Não pode existir nenhuma reserva por menor que seja. Ex.: “poderei beber álcool

daqui a 10 anos?”

 

 

 

 

Não deve criar grandes expectativas

PRINCÍPIO DA SUPREMACIA DA ABSTINÊNCIA SOBRE QUALQUER OUTRO

INTERESSE: a abstinência é a meta suprema, qualquer dúvida sobre os atos da vida deve ser resolvida no sentido de manutenção da

abstinência

 

 

Não deve ser intolerante, impaciente e teimoso

Deve fazer um rebaixamento sadio da sensação de autovalorização

Não deve recair para, depois, pedir ajuda

PRINCÍPIO DO “IN DUBIO PRO ABSTINENTIA3” ou “IN DUBIO PRO VITA”:

na dúvida, devem ser tomadas medidas protetivas e em prol da abstinência. Na dúvida, faça o que for manter a abstinência

 

Não deve testar seus limites, não deve se expor desnecessária ou excessivamente

 

ZONAS DE CERTEZA

POSITIVA

O QUE O ABSTÊMIO DEVE FAZER

NEGATIVA

O QUE O ABSTÊMIO NÃO DEVE FAZER

PRINCÍPIO DO “PRIMEIRO E ANTES DE TUDO” (IN PRIMIS ET ANTE OMNIA):

consiste em estabelecer qual é a principal responsabilidade do abstêmio. Em palavras mais simples: a abstinência deve ser o escopo a

ser atingido

 

 

Não deve tentar consertar os outros, mas a si mesmo

Deve ter cuidado com os pensamentos negativos

Não deve ter euforia excessiva; não deve desestabilizar seu humor. (princípio

do equilíbrio emocional)

Deve evitar pessoas, hábitos e lugares da ativa. (cuidado com a zona cinzenta)

Não deve procurar pessoas, hábitos ou lugares da época da ativa

Deve ser honesto e sincero “consigo mesmo”.

Deve ter acabativa

Não deve mentir ou esconder suas reais

intenções

 

Nestas zonas de certeza (positiva ou negativa) não se admite qualquer “promiscuidade”, “deslize” ou negligência. O erro quanto aos valores apresentados será severamente punido com a RECAÍDA. Assim, a recaída sucede – sobrevém – após a quebra dos valores presentes nas zonas de certezas (positiva ou negativa). Tais valores representam os fundamentos e a base do futuro sistema ideológico abstinente, ou seja, as ideias e características que construirão a ideologia do abstêmio (S.I.A. positivo). A conclusão derradeira é a de que a violação de qualquer dessas zonas de certezas gerará a inevitável recaída, com todas as suas mazelas e repercussões desastrosas na vida dos envolvidos com o processo de abstinência. Os familiares e cuidadores também podem – e devem – contribuir para aumentar o discernimento do abstêmio quanto às suas zonas de certeza positiva e negativa.

Para concluir, no plano individual, a abstinência resulta em fazer o máximo possível correndo o mínimo possível de riscos. Existem 03 (três) zonas de certezas: zona positiva, zona negativa e zona cinzenta. Zona positiva é o que “eu posso fazer”. Zona negativa é o que “eu não posso fazer de jeito nenhum”. O problema reside na zona cinzenta, que corresponde ao que “eu penso que posso fazer, mas não posso”, ou ao que “eu penso que não posso fazer, mas posso”.



1 Tema apresentado no Livro e Ebook:

ZIEMMERMANN, Péricles. Teorias abstemiológicas. 1ª ed. Curitiba/PR: Edição do autor, 2019. 151 p.; 14 X 21 cm. ISBN: 978-85-924432-2-1. Distribuído pela Editora Simplíssimo.

2 Esses temas também estão apresentados no Livro e Ebook:

ZIEMMERMANN, Péricles. Princípios abstemiológicos. 1ª ed. Curitiba/PR: Edição do autor, 2019. 165 p.; 14 X 21 cm. ISBN 978-85-924432-1-4. Distribuído pela Editora Simplíssimo.

3 A palavra “abstinência” tem origem na palavra “abstinentia”, que, por sua vez, decorre do prefixo “ab” juntado à palavra “tenere”. Fonte: consultório etimológico. Disponível em:

<https://origemdapalavra.com.br/site/palavras/abstinencia/>. Acesso em 12 fev. 2018.

 


 

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