04.03.05.
Não sei falar em albanês, cazaque, zoncá ou crioulo francês.
Não saberia pensar em bengali, iorubá, setsuana ou somali.
Nunca ouvi nada em tibetano, monegasco, marati ou turcomano.
Nada entenderia de urdu, sindi, tonganês ou motu.
Nem ao menos amaria em javanês, bislamá, mandarim ou birmanês.
Diria eu estar falando em grego?
Seu alfa, beta, gama o mesmo que lambda, sigma, ômega, não compreendo.
Ídem ao seu farad, hertz, newton, pascal, joule ou volt.
Fujo do mol, candela, kelvin e ampere.
Uma vaga idéia de deca, hecto, mega, giga e tera.
Que dirá de micro, mili, nano e pico!
Polegada, pé, jarda, milha, légua, haja régua!
Que se danem as polegadas, os hectares, os galões, onças, libras e
quilates!
Não sei quem chamo de Vossa Eminência, Vossa Majestade, Sua
Santidade, Vossa Excelência.
Não sei quem chamo de Cristianíssima, Fidelíssima, Sereníssima.
Quanto exagero vejo em Vossa Magnificiência, Ilustríssimo,
Excelentíssimo, Vossa Saliência!
Prefiro ser ante, anti, arqui, sobre, pós, pré, pró, hiper, inter, super,
ab, ob, sob, sub, semi, ultra, infra, neo, proto, supra e pseudo,
pseudônimo beija-flor...
Seria arqui, maxi, multi, giga, macro, mega, pluri, póstero.
Se soubesse falar, pensar, ouvir e entender.
Pelo menos você!
Marcelo Braga
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