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quinta-feira, 28 de novembro de 2024

Às VEZES

 19.07.03.


A felicidade vem furtivamente pelas lareiras, portas, janelas

Ela vem em pedacinhos, gotículas, partículas

Ela é sentida, visível, palpável

Ela vem, ela vai, ela volta, se demora


Às vezes numa visita de médico

Às vezes ela vem a rigor

Às vezes disfarçada

Às vezes ela vem com um nome, um rosto

Às vezes ela vem do nada

Às vezes ela escorre pelos dedos

Às vezes ela nos convida a acompanhá-la

Às vezes resolvemos seguí-la, de perto, de longe, timidamente

Às vezes ela nem é notada

Às vezes apenas imaginamos que seja

Às vezes a perseguimos incansavelmente

Às vezes ela troca de nome, de rosto

Às vezes ela se cansa de correr e a agarramos

Às vezes só nós sabemos que é ela

Às vezes um monte de gente a vê na gente

Às vezes ela é lágrimas

Às vezes beijos

Às vezes muita gente, muita coisa

Às vezes um quarto vazio

Às vezes ela é saudade, um retrato, uma música

Às vezes, a felicidade, nos faz o mais feliz da multidão


Bem, eu a tenho visto ultimamente...


Marcelo Braga


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