Procuro nesse livro, mesmo que recôndito num bunker devido a guerra que vivo no dia a dia, exportar delírios palpáveis e concretos de MOMENTOS de felicidade que se vive no passar dos anos.
Não teria graça se a vida fosse apenas felicidade, tampouco se fosse somente sofrimento. Como disse La Rochefoucauld: “Nunca somos tão felizes nem tão infelizes quanto imaginamos.”
Há que se prever um esbarrar-se em textos SUSPEITOS! Suspeitos, por que? Veja, eu disse DELÍRIOS PALPÁVEIS E CONCRETOS, agora incluo que haverão também delírios SURREAIS, ILUSÕES...
Procuro tanto manter em estado etéreo, que às vezes ACHO ser real, mas o passar dos anos sempre me mostra que era apenas miragens de minha visão daltônica e vesga; nada passou de ILUSÃO.
ILUSÕES também não deixam de ser aprazíveis enquanto nelas acamado. Elas tornam a vida mais amena. Não reclamo mais: eu estava era iludido! Hoje digo: QUE VENHAM MAIS ILUSÕES! Elas ocupam o lugar das tristezas.
Seguirei nesse livro o rumo de todos os outros: textos NUS daquilo que sinto, penso, vejo e acho que vejo. Não será diferente o estilo. Os 40 anos estão chegando e pouco se muda quando a vida está prestes a começar. Há incógnitas...
Estou em constante mudança, cada dia diferente um pouco, cada dia pior, cada dia melhor. Evoluo e regrido. Amadureço e volto a ser criança. Aprendo e esqueço. Bato e apanho; afinal, vivo numa guerra: a GUERRA DA SOBREVIVÊNCIA, e não consigo em meus textos separar o concreto do abstrato. Eles sempre vêm em uma carga de realidade carregada de nuvens. Terra com viagens transcendentais. Como disse: textos NUS.
Cada poesia ou texto que escrevo, nada mais que um pouco daquilo que chamamos de EXISTENCIALISMO. Também nada mais daquilo que sobrou dos pensamentos SUBJETIVOS.
Não consigo passar a vida sem reparar as esquisitices e os mistérios da mesma. Outrossim, ela, a vida, também não consegue me PASSAR. Sou lépido, anteponho-me à ela. Acompanho passo a passo as coisas que me rodeiam e antevejo coisas que não virão. Nada de vidências, apenas as calosidades impregnadas nesse casco já tão duro e estigmatizado.
Há que se convir que, alguém que passou por mais de 50 residências, mais de 13 estados do Brasil, encontra-se em seu quarto casamento (último casamento), três filhos com três mulheres diferentes, duas carteiras assinadas lotadas de firmas que eu disse NÃO, deva ter, esse alguém, alguma experiência; saiba manobrar, estacionar, chegar quando preciso for e sair quando a urge apitar o toque de recolher!
Marcelo Braga
02.06.2011.
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