19.07.2011.
Acordo sem despertador, ainda está escuro e silêncio. Moro num lugar cercado de árvores e pássaros. Cuido de meus bichos e plantas enquanto vai clareando o dia. Me vêm os planos para o dia, as tarefas a serem cumpridas, o trabalho a ser executado, a poesia a ser escrita. Ligo minhas músicas, escrevo, leio, cuido de mim, vejo minha filha de três anos em seu sono anjo. Minha mulher descansando ao lado dela. Passeio tranquilamente pela casa; penso em coisas grandes e vitais. Passeio no surrealismo que tanto me apreende e penso coisas de natureza existencialista.
Depois vou à rua. Falo oi e o cara finge não ouvir. TUDO BEM. Passo na banca de jornal, um monte de gente presa, morta, estuprada e meu time perdeu. TUDO BEM. Dali vou à padaria, o pão ainda vai sair, ele vem cascudo, quase queimado. TUDO BEM. Chego num cruzamento sem sinal (farol), nenhum carro dá passagem, vai enchendo de gente querendo atravessar também e perco alguns segundos, mas TUDO BEM. O banco está com a fila dobrando a esquina, o sol está tostando e um cara encontra um amigo na minha frente e ali fica. MAS TUDO BEM. Pago a conta atrasada, fico duro, mas tenho um dinheiro a receber daquele cara. MAS TUDO BEM. Chego no cara, ele diz que o dinheiro não saiu, me pede mais um prazo e eu digo: TUDO BEM. Camelôs ocupam as calçadas, vou me esgueirando entre as bancas e no fim sigo pela sarjeta. MAS QUASE TUDO BEM. No trabalho, o primeiro cliente vem devolver o produto, o segundo não me responde quando pergunto: “posso ajudar?” e o terceiro deixa fiado. MAS QUASE TUDO BEM. Faço sinal para o taxi, depois de um bom tempo esperando um; ele pára para o cara de terno e gravata que chegou agora. MAS QUASE TUDO BEM AINDA. Consigo o taxi, o cara não quer ligar o taxímetro, quer me levar “no grito”, aí meu irmão, NÃO ESTÁ MAIS TUDO BEM, já é tarde da noite, fico puto de repente, desço do carro e vou a pé mais puto ainda.
Assim se passa mais um belo dia...
Marcelo Braga
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