Abstemiopatias 8/12 - PROBLEMA DA DIFICULDADE DE DISSUASÃO
PROBLEMA DA DIFICULDADE DE DISSUASÃO
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Devido à teimosia inerente a todo ser humano e muito mais
acentuada no adicto, é muito difícil dissuadir o abstêmio de tomar alguma
decisão contrária ao que já tenha
sido decidido, anteriormente, por ele. Coisas como: “voltar atrás”, “dar o
braço a torcer”, retroceder ou “admitir seus equívocos” são critérios de baixa
aceitação e desenvolvimento cognitivo para qualquer abstêmio, sobretudo nas
fases iniciais de abstinência.
Quando
o abstêmio toma a decisão de fazer algo que coloca em risco seu processo de
abstinência é muito dificultoso fazer com que essa decisão seja revista por
“ele mesmo”. A FALTA DE FLEXIBILIDADE
CONCEITUAL – MENTE FECHADA – TORNA O PROCESSO DE ABSTINÊNCIA, EM ALGUNS
MOMENTOS, MUITO DRAMÁTICO.
Entretanto, isso é normal e, por mais estranho que pareça,
ocorre com todos que estão tentando evoluir consciencialmente. Existem
mecanismos de dissuasão que podem ser aplicados preventiva ou repressivamente.
A prevenção é muito mais efetiva porque evita que o abstêmio tome a decisão que
pode colocar em risco seu processo abstêmio. Por outro lado, depois de tomada
qualquer decisão fica muito mais difícil fazer com que o abstêmio retroceda em
seu propósito.
Continuando o raciocínio, é possível compreender que existem
três conjuntos de estudos que englobam esse tema: dissuasão
em prol da abstinência. Veja:
• DIFICULDADE DE DISSUASÃO
• TÉCNICA DA EVITABILIDADE DE TOMADA DE DECISÃO
• PRINCÍPIO DA PRIORIDADE ABSOLUTA
O exemplo muito comum da
DIFICULDADE
DE DISSUASÃO é o do abstêmio (em fase inicial)
que deseja viajar com
“amigos” durante algum
feriado. Se essa decisão – viagem – for submetida ao
crivo de outros abstêmios mais experientes, certamente, a opinião majoritária será a de que ele não deve
viajar nesse momento. Porém, se a decisão de viajar já tiver sido tomada pelo
abstêmio, fica muito difícil que os outros abstêmios consigam dissuadi-lo a
evitar essa viagem.
Por isso, a boa técnica recomenda que o abstêmio, no início
de seu processo de abstinência, evite tomar decisões importantes antes de
consultar seus familiares, cuidadores, terapeutas ou colegas abstêmios mais
experientes (padrinhos/madrinhas). A TÉCNICA DA EVITABILIDADE DE TOMADA DE DECISÃO, nas fases iniciais de abstinência, sinaliza que a pessoa está
admitindo sua impotência perante o uso de drogas/álcool, que se sujeita
a pedir ajuda de terceiros na sua caminhada, que possui a mente aberta e que se
abstém da tomada de decisões muito relevantes porque ainda
não possui a LUCIDEZ necessária para isso.
Quanto ao PRINCÍPIO DA PRIORIDADE ABSOLUTA, tal princípio expressa a ideia da responsabilidade através da frase
“primeiro as primeiras coisas”. A maior responsabilidade e o objetivo
prioritário durante o processo abstêmio devem ser a ABSTINÊNCIA. A abstinência deve ter
prioridade absoluta, deve ser o foco do cotidiano de cada abstêmio. Veja que
interessante. Temos prioridades na vida, como, por exemplo, um bom emprego, a
constituição de uma família ou um modo de vida saudável. Essas prioridades se
confundem, na realidade, com os EFEITOS gerados pela
abstinência.
A ABSTINÊNCIA pode gerar diversos efeitos POSITIVOS ou NEGATIVOS. Nós sempre
buscamos os EFEITOS
POSITIVOS, mas existem os EFEITOS NEGATIVOS. Como exemplo de efeitos
POSITIVOS, temos: sobriedade, conivência familiar, dignidade humana abstêmia,
vida saudável, progresso laboral, entre outros. Quanto aos EFEITOS NEGATIVOS,
são exemplos: efeitos colaterais
gerados pela medicação, ausência em festividades, necessidade de comparecer a
grupos abstêmios durante o resto da vida, não poder trabalhar em determinadas
profissões, ter que se explicar por que não “vai beber no ano novo”, etc. São
muitos os efeitos negativos. Óbvio que desejamos apenas os efeitos positivos da
abstinência, mas todo “bônus gera um ônus”, de modo que sempre haverá efeito
negativo. É a lei da vida. Por isso, a abstinência sempre terá
EFEITOS POSITIVOS e EFEITOS NEGATIVOS.
Porém,
muita atenção: o problema é que nada disso pode ser obtido sem respeito ao PRINCÍPIO DA PRIORIDADE ABSOLUTA. A PRIORIDADE
ABSOLUTA não é um efeito da abstinência, mas, por outro lado, é a CAUSA da abstinência, ou seja, a GÊNESIS
ABSTÊMIA. Só existe uma única prioridade absoluta para
todos aqueles que tiveram um passado adicto,
e consiste em não usar drogas/álcool. Essa é a PRIORIDADE ABSOLUTA,
todo o resto é a apenas efeito gerado por essa causa[1].
Cuidado: o PRINCÍPIO DA PRIORIDADE ABSOLUTA consiste em não usar drogas/álcool. Apenas isso. Aquele que não estiver com essa
prioridade acima de todas as outras está invertendo os valores e confundindo
a CAUSA (abstinência) com o EFEITO (emprego digno, vida saudável, amizades, conivência familiar
sadia).
Sumariando o que foi dito, recomenda-se que o abstêmio, nas fases iniciais de abstinência, abstenha-se de tomada de decisão quanto a: separação/divórcio, mudança de emprego/carreira profissional, retomar seus estudos, mudança geográfica, formas de lazer e, até mesmo, compras de valor financeiro vultoso. Todas essas decisões representam grandes mudanças e com efeitos permanentes de modo que devem ser evitadas no início da abstinência. DE FATO, A ÚNICA DECISÃO IMPORTANTE A SER TOMADA É A DE PERMANECER ABSTÊMIO.
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REFERÊNCIAS
Sugerimos, humildemente, que seja feita a leitura
do texto disponível no site da abstemiologia: “RECAÍDAS SUCESSIVAS”.
ZIEMMERMANN, Péricles. PRINCÍPIOS ABSTEMIOLÓGICOS.
Porto Alegre/RS:
Editora Simplíssimo, 2018. ISBN 978-85-824565-3-8
ZIEMMERMANN,
Péricles. TEORIAS ABSTEMIOLÓGICAS. Porto Alegre/RS:
Editora Simplíssimo, 2019. ISBN 978-85-824566-2-0
ZIEMMERMANN, Péricles. ITINERÁRIOS
ABSTEMIOLÓGICOS. Porto Alegre/RS:
Editora Simplíssimo, 2020. ISBN 978-85-924432-3-8
ZIEMMERMANN, Péricles. ABSTEMIOPATIAS. Porto Alegre/RS: Editora Simplíssimo,
2021. ISBN 978-85-824583-6-5
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