Abstemiopatias 1/12
ABSENTOFOBIA
A absentofobia possui
duas formas: a primeira consiste em sentir medo de ficar abstêmio, ou seja, é meramente individual (ABSENTOFOBIA SINGULAR); a
segunda consiste em sentir repulsa por aqueles que estão abstêmios, ou seja, é social (ABSENTOFOBIA GREGÁRIA).
A ABSENTOFOBIA SINGULAR ocorre quando a pessoa sente medo de ficar em abstinência porque terá de enfrentar todos os fatos da vida sem poder utilizar-se de drogas/álcool. Essa forma de absentofobia é muito comum no início do processo de abstinência e repercute no abstêmio e em sua família já que o ABSTÊMIO será uma nova pessoa com a qual sua família – e ele mesmo – ainda não conviveram. Então, o somatório dos medos: mudar, superar problemas, nova forma de vida, autoenfrentamento, autoinvestigação e evolução consciencial abstêmia representam a ABSENTOFOBIA SINGULAR.
A ABSENTOFOBIA SOCIAL – OU GREGÁRIA – é muito mais sutil. Por exemplo, quando o abstêmio não for convidado para uma festividade porque não irá “beber” e todas as outras pessoas que comparecerão à festa vão, inevitavelmente, ingerir bebidas alcoólicas. A ABSENTOFOBIA SOCIAL se materializa, por exemplo, quando a sociedade cunha termos como “careta’, “caxias”, “chato”, “quadrado”, “retrógrado”, “conservador”, “atrasado”, “tradicionalista”, “antiliberal” ou “antidrogas”. Esses termos são, comumente, utilizados para se referirem à pessoa que não utiliza drogas/álcool. Como veremos adiante, numa sociedade usurária ou extremamente conivente com o uso de drogas/álcool a absentofobia ganha contornos mastodônticos. O abstêmio será socialmente afastado de muitos grupos, tais como, a “turma do boteco”, o pessoal do “happy hour”, o “cantinho do fumódromo”, a “turma do cachaceiros”, ou, as degustações de “queijos e vinhos”. Esses são exemplos de grupos sociais que são, em regra, avessos a ideologia abstêmia. Existem, ainda, momentos festivos em que a absentofobia se manifesta de forma mais veemente, por exemplo, no carnaval, na festa de aniversário de alguém que ingere bebidas alcoólicas costumeiramente, no já citado happy hour, ou, em algumas festas de fim de ano como o famoso “amigo secreto”.
Na realidade e na maioria
dos casos, a ABSENTOFOBIA
SOCIAL se baseia no desconforto que os outros sentem por estarem na presença de alguém
que não utiliza drogas/álcool. Esse incômodo se perfectibiliza no fato de que, muitas vezes, o real objeto da
confraternização ou da festividade é o USO de
drogas/álcool e não o “encontro
de amigos”, a “reunião com colegas de trabalhos”, a “possibilidade e conhecer novas pessoas”, o “melhor entrosamento do grupo de trabalho”, ou, o “desejo
de saborear um novo queijo”. Detalhe: na maioria das vezes,
essa última festividade deveria ter sua nomenclatura
alterada uma vez que não é “queijo e vinho”, mas é “vinho e queijo” porque o principal motivo dessa
degustação é ingerir o vinho, e não saborear o queijo.
Destaque-se o fato de que a abstinência não representa forma de “alcoofobia”, mas é, contudo, a forma de
superar a idolatria do álcool e de outras drogas
análogas.
Em suma, o ato é que existe ABSENTOFOBIA INDIVIDUAL e ABSENTOFOBIA SOCIAL. O medo de ficar abstêmio
(individual) e o medo que as outras pessoas possuem quando tiverem que
lidar com abstêmios (social) é a base que sustenta toda a absentofobia.
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REFERÊNCIAS
ZIEMMERMANN, Péricles. PRINCÍPIOS ABSTEMIOLÓGICOS. Porto
Alegre/RS: Editora
Simplíssimo, 2018. ISBN 978-85-824565-3-8
ZIEMMERMANN,
Péricles. TEORIAS ABSTEMIOLÓGICAS. Porto Alegre/RS:
Editora Simplíssimo, 2019. ISBN 978-85-824566-2-0
ZIEMMERMANN, Péricles. ITINERÁRIOS ABSTEMIOLÓGICOS. Porto
Alegre/RS: Editora
Simplíssimo, 2020. ISBN 978-85-924432-3-8
ZIEMMERMANN, Péricles. ABSTEMIOPATIAS. Porto Alegre/RS: Editora Simplíssimo, 2021. ISBN
978-85-824583-6-5
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