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quarta-feira, 28 de agosto de 2024

SÉRIE: Grupos de Interesses Especiais em A.A. 7/11 - Homossexuais em A.A. (1967)

 SÉRIE: Grupos de Interesses Especiais em A.A. 6/11 - Homossexuais em A.A. (1967)


Homossexuais em A.A. (1967) =



> Os homossexuais, ou seja, Gays e Lésbicas em A.A.- têm encontrado ajuda e se recuperado em Alcoólicos Anônimos desde os primeiros dias da Irmandade. Bill W., refere-se a eles no livro Doze Passos e Doze Tradições e, numa carta escrita em Gays and Lesbians in Alcoholics Anonymous 1958, expressa seu interesse e profunda simpatia por estes membros. A dedicação, o talento e a capacidade de gays e lésbicas em A.A. contribuíram enormemente para o aprimoramento do serviço, incluindo servidores como Delegados e Custódios.

Quase sempre discretos em seu estilo de vida, eles, com raras exceções, foram totalmente aceitos na Irmandade.



Em 1975, foi publicado pelo instituto Lillen Fifield, um estudo sobre o abuso do álcool na comunidade gay de Los Angeles, intitulado, “On My Way to Nowhere: alienated, Isolated, drunk” ou, algo como, “No Meu Caminho Para Lugar Nenhum: alienado, isolado, bêbado”. Seu titulo pretendia sugerir a confirmação de uma teoria do autor para explicar a alta incidência de alcoolismo entre os homossexuais e que se refletia, também, no numero deles nos Grupos de A.A. daquela cidade. Foi comprovado que a procura por ajuda em A.A. seria proporcionalmente maior entre este segmento do que entre os alcoólicos convencionais. No estudo, o padrão dos homossexuais parece indicar que, frequentemente são pessoas distantes de suas famílias, saíram de suas casas numa idade precoce e depois terminam por se sentir rejeitados, solitários e “diferentes”, o que os torna especialmente vulneráveis ao alcoolismo. Adicione a isso que sua vida social gira em torno de bares gays, festejando e bebendo. Quando alcançam seu fundo do poço e vão para A.A., encontram não só a recuperação, uma nova forma de vida e novos valores, mas também aceitação e, na verdade, uma “família” que antes não tiveram.

Assim, em grandes cidades com uma população significativa de homossexuais, - Nova York, Los Angeles, San Francisco, Washington, Boston, etc., gays e lésbicas chegaram em A.A. nos primórdios da Irmandade, no final dos anos 1930.



O primeiro homossexual a ingressar na Irmandade está descrito, mesmo que aparentemente de maneira enigmática, na página 128/5/1, do livro “Os Doze Passos e as Doze Tradições” - Junaab, código 105: “No calendário de A.A. corria o Ano Dois. Àquela altura não se viam senão dois grupos de alcoólicos lutando por um lugar ao sol. Um estranho entrou num desses grupos, bateu na porta e pediu para entrar. Falou francamente ao membro mais velho daquele grupo. Em pouco tempo provou que era um caso desesperador e que acima de tudo queria ficar bom. ‘Mas’, perguntou ele, ‘o senhor permitirá que eu faça parte de seu Grupo? Sou vitima de outra dependência ainda mais estigmatizante que o próprio alcoolismo e o senhor poderá não me querer entre os seus. Não é assim?’”. Este enigma é desfeito pelo próprio Bill W., em um discurso pronunciado durante a Conferência de 1968, e cujo tema eram as Tradições; o discurso foi gravado por Barry L. e ao se referir à Terceira Tradição, pode-se ouvir Bill dizer que o “membro mais velho” era o Dr. Bob, e a “outra dependência ainda mais estigmatizante”, era a homossexualidade. Após a aceitação dessa pessoa pelo Grupo, o texto no livro Doze Passos..., continua na pg. 128/4/5 “... Ele jamais incomodou quem quer que fosse com o seu outro problema”. Esta experiência foi uma das primeiras a ser utilizada como base para o enunciado da Terceira Tradição.



O próprio Barry L. foi um dos primeiros membros homossexuais - “em 1945 não estávamos em armários, mas trancafiados em cofres!”. Ingressou em Manhattan em 1945, e é citado no livro “Levar Adiante” – Junaab, código 118, como coadjuvante de um incidente ocorrido na sede de um clube de A.A. na Rua 41, em Nova York onde Barry era secretário. Na ocasião, entrou no escritório de uma casa-clube de A.A. em Nova York, um homem solicitando ajuda. Ele era negro, e naquele Grupo não havia nenhum negro. Era ex-presidiário, seu cabelo estava tingido de loiro, usava maquiagem e disse que era dependente de drogas. Os membros mais antigos não sabiam que atitude adotar. Barry L. consultou Bill W., que lhe perguntou se o homem era um bêbado. Diante da confirmação, Bill disse “acho que é tudo que podemos exigir”. O candidato foi convidado a assistir às reuniões e, embora logo desaparecesse, sua breve permanência criou mais um precedente para a Terceira Tradição.



A partir da década de 1940, e com mais intensidade nas de 1950 e 1960, A.A. experimentou um forte afluxo de homossexuais, sobretudo nas grandes cidades com uma população significativa de gays e lésbicas - Nova York, Los Angeles, San Francisco, Washington, Boston, etc., começaram a aparecer Grupos em determinados bairros como Greenwich Village e o East Side de Manhattan em Nova York e Centro de São Francisco; entretanto, nas listas de Grupos dos ESL´s eles não foram designados como grupos gays.

Em 1947, três homens de Boston pediram a opinião de Bill W., a respeito de iniciarem reuniões exclusivas para homossexuais naquela cidade. Bill perguntou-lhes se, nessas reuniões, estariam também dispostos a receber qualquer alcoólico que os procura-se em busca de sobriedade. Diante da resposta afirmativa, Bill W., disse-lhes, “então vão em frente”

Embora os homossexuais se identificassem com a proposta dos Grupos regulares de A.A. no que diz respeito ao propósito único da Irmandade - manter o foco no alcoolismo tinham grandes dificuldades e sentiam desconforto ao compartilhar seus problemas de relacionamento e suas experiências com pessoas alheias à sua condição. E assim, em San Francisco, em 1967, alguns setores manifestaram sua vontade de criar um Grupo para gays. Formou-se, então o primeiro Grupo para gays numa sala de uma Igreja Episcopal, no centro de San Francisco. No começo, os membros identificavam-se como sendo “alcoólico e gay”, mas em pouco tempo retiraram a palavra gay, e ficou “eu sou alcoólico” simplesmente. “A principio consideramos isso como um lugar onde os homossexuais alcoólicos intimidados nos Grupos regulares podiam comparecer. Não tínhamos ideia de criar um Grupo onde outras pessoas também pudessem vir para obter sua sobriedade. Mas isso foi o que aconteceu. Se nós não o tivéssemos feito, alguém iria fazê-lo”, disse um fundador do Grupo.



E, de fato, alguém já estava fazendo em outras cidades também. Em Washington, DC, por exemplo, dois gays e duas lésbicas, realizaram uma reunião em uma casa particular no dia 8 de dezembro de 1971. Todos passaram a considerar que o Grupo formado unicamente por homossexuais era extremamente útil para seu propósito de recuperação. Continuaram a se reunir aos domingos e estenderam os locais a mais duas casas até o verão de 1972, quando Cade W., e Bob W., se aproximaram do reverendo Goodrich, da Igreja Episcopal de St. James, e conseguiram permissão e um espaço para realizar suas reuniões. No começo de 1974, Ray C., iniciou um Grupo em St. Margaret que se reunia às sextas feiras. Depois veio o Grupo Lambda, na Virginia.



Padrões similares de crescimento foram ocorrendo em outras cidades, e na medida em que o número de Grupos de A.A. para homossexuais foi crescendo e aparecendo em outros locais, verificou-se que se fazia necessário um diretório com a lista desses Grupos de gays e lésbicas, e assim, por uma ação da Conferência de Serviços Gerais de 1974, começaram a serem listados nos diretórios dos EUA/Canadá, com votação favorável de 131 votos e apenas dois votos contrários.



Para esse efeito, bem como para oferecer um contato específico, em 1981, foi criado o “International Advisory Council for Homosexual Men and Women in Alcoholics Anonymous” – IAC, ou algo como, “Conselho Consultivo Internacional para Homens e Mulheres Homossexuais em Alcoólicos Anônimos”. 



Ver Carta e Estatutos do Conselho Consultivo Internacional – IAC A.A.

Ver: http://gal-aa.org/ http://iac-aa.org/about-iac/by-laws/ http://www.barefootsworld.net/aaspecialgroups.html Você pensa que é diferente? – Junaab, código 206

A.A. e os alcoólicos Gays/Lésbicas – Junaab, código 248



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