Princípios Abstemiológicos 53/81
PRINCÍPIO DA HUMANIDADE NO TRATAMENTO
O tratamento dispensado àqueles que desejam ficar abstêmios deve ser pautado na humanidade, na atenção
e no caráter individual de cada pessoa. A abstinência exige caminhos, efeitos,
princípios e aplicação de técnicas individuais. Não existe uma fórmula mágica
que simplesmente transmute o adicto
em abstêmio. A abstinência é o resultado
de um processo longo no tempo
e lento nos efeitos. A exigência de trabalhos forçados, tratamento cruel e
degradante, bem como as variadas formas de punição que são aplicadas aos
abstêmios mínimos (ou desintoxicandos), se demonstram ineficazes e destituídas de caráter pedagógico. A abstinência se pauta
muito mais no autossenso de responsabilidade do que na heterorresponsabilidade
induzida por culpa. Existe a necessidade de que o abstêmio assuma suas
responsabilidades e o trabalho saudável e pedagógico
é sempre recomendável. Entretanto, é comum que algumas clínicas ou comunidades
terapêuticas apliquem castigos físicos ou psicológicos ao desintoxicando que
descumprir suas normas internas. Isso está mais relacionado com abuso de direito ou, até mesmo, em alguns casos mais graves, com tortura. O
adicto é uma pessoa que já passou por tanto sofrimento, tristeza
e desgraça que qualquer tratamento abusivo pode lhe representar, internamente, o mesmo ciclo de
drogadição que existia fora da
clínica ou comunidade. É preciso humanizar o tratamento para iniciar o processo de abstinência de forma coerente. O
simples fato de ter que mudar toda sua forma de viver para permanecer em abstinência já é algo muito complexo para todos os
envolvidos (abstêmio, família, amigos, terapeutas) e isso não deve – e nem
pode – ser
agravado por formas de tratamento degradantes.
PÉRICLES ZIEMMERMANN
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