03.09.2011.
Tenho um Deus oculto, sem nome, sem templo, sem altar
Tenho filhos que não serão meus em poucos dias
Tenho um pé de laranja seleta
Um nome, uns documentos e crédito no banco
Pessoas que preciso ter
Pessoas que precisam de mim
Tenho até mesmo a precisão de um EU
Tenho uma razão razoável de neurônios poucos
Alguns bem vivos, outros dormentes, outros mortos
Tenho uma casa que apenas moro
Uma mulher que de tanto tê-la, quase a perdi
Um monte de livros meus e dos outros que tanto li
Textos de rico vernáculo
Textos com erros inadmissíveis
Tenho sonhos, projetos, plantas e esquemas
Problemas, soluções e teimas
Trago coisas do passado e penso pouco no futuro
No futuro terei as coisas que achava tê-las e
As perderei novamente
Ficarão meus cheiros, minhas fotos, meus dentes
Sorrindo, sorrindo, sorrindo...
Marcelo Braga
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