Movimento Emmanuel (1906) =
> O Movimento Emmanuel começou em Boston em 1906, na Igreja Episcopal Emmanuel, onde seu fundador Rev. Elwood Worcester (1862 – 1940), e seu assistente
Rev. Samuel Mc Comb (1864 –
1938), abriram uma clínica que atendia gratuitamente
pessoas portadoras de tuberculose vindas das favelas de Boston, e lá chegavam à
busca de ajuda e conforto espiritual.
Mais tarde, com a ajuda do médico psiquiatra, Dr. Isadore Henry Coriat (1875 – 1943), estenderam esta ajuda a pessoas portadoras de transtornos mentais. Neste campo descobriram uma procura muito grande por parte de alcoólicos, o que os levou a desenvolver técnicas especiais para trabalhar com essas pessoas. Verificou-se, então, que combinando espiritualidade com psicologia simples praticada em grupo através de reuniões semanais, mantinha essas pessoas afastadas da bebida. Essa terapia de grupo teve ampla repercussão e boa acolhida, e Worcester e Mc Comb tornaram-se conhecidos por seu sucesso no tratamento de pacientes alcoólicos.

Em 1911, o corretor de seguros Courtenay Baylor (1870-1945), pediu
ajuda Worcester para tratar seu
alcoolismo e após um período de sobriedade, em 1913, começou a trabalhar para a igreja Emmanuel como especialista
em alcoolismo. Tornou-se terapeuta leigo remunerado - obteve
grande sucesso e sua fama como terapeuta espalhou-se rapidamente. Em 1919, publicou o livro “Refazendo um Homem”, onde descreve a técnica de seu tratamento. Dentre os alcoólicos ajudados por Baylor, dois se sobressaíram, primeiro pela natureza do seu grau de alcoolismo considerado irrecuperável, e segundo pela influência que suas histórias e seus feitos teriam na futura constituição de A.A.
O primeiro deles foi Richard
Rogers Peabody (1892 –1936), membro e herdeiro de
uma abastada família de Boston, teve problemas com sua maneira de beber desde a
juventude. Alistou-se no exército e combateu na Revolução Mexicana. Em 1917 se realistou no campo de
treinamento de oficiais de Platsburg, Nova York, onde se cruzou pela primeira
vez com Bill W. que também lá estava. Os dois faziam parte da Força
Expedicionária Americana e saíram de lá para participar da I Guerra Mundial na
Europa com o grau de segundo-tenente.
Lá, Peabody chegou ao posto de capitão. Os dois tiveram seu alcoolismo agravado
na Europa e suas consequências na demoraram a aparecer. No regresso e por causa de seu
alcoolismo, Peabody foi deserdado pela família e se divorciou de sua mulher Mary
Phelps "Polly" Jacob (1891-1970), com quem tinha dois filhos e teria lhe contado sua prática de adultério enquanto
ele estava
na guerra. “Polly” ficou conhecida no
mundo todo quando, revoltada contra o
uso do espartilho inventou o sutiã moderno, patenteado por ela em 1910 com a idade de 19 anos.
Em 1921, Peabody foi procurar ajuda na Igreja Episcopal Emmanuel, onde orientado por Baylor conseguiu a sobriedade. Aproveitando os conhecimentos adquiridos com Worcester e Baylor, R. Peabody tornou-se terapeuta leigo. Em abril de 1931, publicou o livro O Senso Comum de Beber, dedicado a Baylor, onde descreve o Método Peabody para o tratamento do alcoolismo, e, apesar de ele não ter qualquer formação em medicina ou psicologia, foi considerado muito eficaz nos meios especializados. O método compõe-se de nove etapas (a ideia de escrever o programa de A.A. em passos numerados parece ter surgido destas etapas) concebidas para reeducar e ensinar os alcoólicos a aceitar o fato de que nunca poderão voltar a beber – esta é a origem da sentença usada em A.A.: “uma vez alcoólico sempre alcoólico”, encontrada no terceiro capítulo do Livro Azul, que ao igual que “Um homem de trinta anos...” e sua história, foi retirada do livro de Peabody que mostra formas e meios para se adaptar a uma nova vida sem beber. Foi o primeiro a afirmar que não existia cura para o alcoolismo. Este método é uma versão secularizada e profissionalizada do movimento Emmanuel, ou seja, sem o componente espiritual e também ignora as reuniões em grupo. Limitava-se aos alcoólicos que podiam pagar pela terapia individualizada. Peabody também é o terapeuta leigo bem sucedido a quem Bill W. se referiu ao tentar justificar a oferta de trabalho com alcoólicos feita pelo dono do Hospital Towns, a qual foi rejeitada por Bill após consultar alguns outros membros, fato este que teria originado o enunciado da Segunda Tradição.
Além
de Bill W. e Lois, este livro foi muito lido pelos primeiros AAs. Um exemplar
presenteado a Bill por Rosa Burwell encontra-se nos arquivos do GSO em Nova
York.
Apesar
do grande sucesso alcançado pelo modelo de tratamento desenvolvido por ele,
parece ser que Peabody recaiu no alcoolismo e morreu em 26 de abril de 1936 em Nova York aos 44 anos de idade.
O segundo alcoólico ajudado por Baylor, entre 1933 e 1934, foi Rowland Hazard (1881 – 1945), ao conseguir que alcança-se a sobriedade, feito que o Dr. Jung, o renomado psiquiatra de Zurique, não tinha conseguido. Em 1934, Rowland ingressou no Grupo de Oxford de Nova York, onde transmitiu os conhecimentos do movimento Emmanuel para Ebby e para Bill W.
A
partir de 1942, o Movimento
Emmanuel foi perdendo espaço para Alcoólicos Anônimos, pois embora os
programas fossem muito parecidos no conceito espiritual, o primeiro deu ênfase
à formação de terapeutas, sobretudo a partir da aposentadoria de Worcester em 1929, enquanto A.A., não profissional e
gratuito, atendia às expectativas de
um maior número de alcoólicos. Um antigo membro resumiu: “Suas ideias eram maravilhosas, mas não tinham a magia de A.A.”.
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