Grupos Anônimos de Ajuda Mútua. Solidários sim, solitários nunca. Anônimos por escolha, desprendidos por obrigação, eles formam uma cruzada silenciosa de apoio a todas as pessoas que padecem de comportamentos compulsivos. Com milhares de pontos de uma rede interligada no mundo, seus núcleos de atuação - presentes tanto no subsolo do edifício da cidade grande quanto no mais recôndito lugarejo rural - recebem e auxiliam os que sofrem de insegurança, auto piedade e baixa autoestima. Eles são os chamados Grupos de ajuda mútua. Nem mesmo a opção pelo anonimato conseguiu impedi-los de estarem entre as associações mais famosas do planeta.
São pequenos núcleos formados por pessoas que se recuperaram de estilos de vida destrutivos e hoje retribuem a retomada da felicidade comum transmitindo a mensagem de sua experiência pela busca do equilíbrio e bem-estar. A eles recorrem indivíduos com as mais diferentes adicções. As salas alugadas ou cedidas aos grupos pela comunidade ou por órgãos públicos, recebem todos os dias gente que depende compulsivamente de álcool, drogas, fumo, comida, sexo e relacionamentos afetivos disfuncionais. Dos dependentes, o grupo nada exige - não cobram pelos serviços, sobrevivem da contribuição espontânea dos membros - a não ser um desejo legítimo e forte de alcançar a recuperação; para tanto, devem descobrir seus sentimentos, assumir fraquezas e limitações, nunca tentar modificar os outros, aceitar as pessoas como realmente são e, principalmente não acusá-las por todas as infelicidades de sua vida.
Esses ensinamentos pareceriam retóricos se não viessem avalizados por uma filosofia de atuação tão simples quanto comprovadamente eficaz: na troca de experiências, o indivíduo se enxerga no grupo e, ao fazê-lo, toma consciência de que o seu problema não é o único, encontrando força extra para a própria recuperação.
A principal matriz dos grupos de ajuda mútua é a Irmandade de Alcoólicos Anônimos – A.A., fundada em 1935, em Akron, Ohio, EUA, e desde seus primórdios reconhecida como patrocinadora de um dos mais eficientes programas de recuperação de alcoólicos.
Utilizando um método totalmente não profissional e sem vínculos institucionais com o Estado, religiões ou quaisquer outras instituições, as Irmandades de Anônimos desenvolvem uma série de atividades pessoais conhecidas como Doze Passos, e as Doze Tradições, a base do programa de Alcoólicos Anônimos, com o intuito de promover a recuperação de seus
membros. Os “Passos” incluem a admissão de que existe um problema, a busca de ajuda, a auto-avaliação, a partilha em nível confidencial, a disposição para reparar danos causados e para trabalhar com outros que queiram se recuperar. O programa propõe uma forma de vida espiritual, cognitiva e comportamental que aumenta o bem estar pessoal e interpessoal e promove sistema de valores baseados em honestidade e humildade. As “Tradições”, um conjunto de princípios sugeridos para assegurar a sobrevivência e a expansão dos Grupos que compõem a Irmandade. Baseadas nas experiências dos próprios Grupos durante os primeiros anos cruciais de A.A., elas se relacionam à condução dos assuntos internos dos Grupos, à cooperação entre eles e ao seu relacionamento com a comunidade externa. Estas Irmandades não têm propriedades nem patrimônio material; sua manutenção financeira e feita através das contribuições voluntárias de seus membros e não aceitam doações externas; como instituição, mantém a pobreza coletiva.
Fazem ou fizeram parte desta vasta rede social de ajuda mútua, além de Alcoólicos Anônimos, dentre os mais conhecidos no Brasil - na ordem cronológica:
Adictos Anônimos (1947-?)
Associação Antialcoólica do Estado de São Paulo (1950)
Al-Anon (1951)
Al-Anon no Brasil (1965)
Narcóticos Anônimos (NA) (1953)
Narcóticos Anônimos no Brasil (1971)
Alateen (1957)
Jogadores Anônimos (1957)
Comedores Compulsivos Anônimos – CCA, (1960)
Neuróticos Anônimos – N/A (1964)
Neuróticos Anônimos no Brasil (1969)
Devedores Anônimos (1967)
Nar-Anon (1968)
Nar-Anon no Brasil (1979)
Emocionais Anônimos (1971)
Dependentes de Amor e Sexo Anônimos (1976)
Fumantes Anônimos (1982)
Co-Dependentes Anônimos – CoDA, (1982)
CoDa no Brasil (1996)
Mulheres Que Amam Demais Anônimas – MADA, (1985)
Centro de Valorização da Vida (1962)
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