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terça-feira, 23 de julho de 2024

Os 12 Passos de Alcoólicos Anônimos

 

Doze (Os) Passos de A.A. =


> Desde o ingresso de Bill no Grupo de Oxford em dezembro de 1934, ele e Ebby desenvolveram um “programa de informação verbal” a partir da mensagem de Ebby, em novembro daquele ano, e dos conhecimentos adquiridos nesse Grupo através do Rev. Samuel Shoemaker: as ideias de autoconhecimento, reconhecimento de defeitos de caráter, reparação para dano causado e trabalhando com outros. Da leitura do livro “As Variedades da Experiência Religiosa” de William James saíram os conceitos da calamidade e o colapso, e o apelo dirigido a um poder superior. Resumiram-no numa proposta que consistiu de seis passos:

1.       
Admitir a derrota e a impotência perante o álcool.

2.        Fazer um inventário moral de todos os defeitos.

3.        Compartilhar essas imperfeições com outra pessoa, de forma confidencial.

4.        Fazer reparações àqueles que tínhamos prejudicado, devido à nossa bebedeira

5.        Ajudar    outros    alcoólicos,    sem   buscar    recompensa   em dinheiro ou prestígio.

6.       Pedir a Deus a força necessária para praticar estes preceitos. Isto era em essência o que, em fins de 1937, se estava dizendo aos recém-chegados em Nova York.

Enquanto isso, na área de influência do Dr. Bob, Akron e Cleveland, seguia-se uma orientação extremamente fundamentalista, baseada em estudos bíblicos e leituras do pensamento cristão do Grupo de Oxford, como consta de um relatório feito por Frank Amos a pedido de John D. Rockefeller sobre o “pretenso Grupo Alcoólico de Akron, Ohio”:

1.     Um alcoólico deve reconhecer que é um doente incurável do ponto de vista médico, e que precisa deixar de beber para sempre qualquer coisa que contenha álcool.

2.     Deve de alguma forma se render a Deus, percebendo que em si próprio não esperança.


3.     Não somente deve querer parar de beber permanentemente, mas remover de sua vida outros pecados, tais como o ódio, o adultério, e outros que, com frequência, acompanham o alcoolismo. Se não seguir esses passos de forma absoluta, Smith e seus associados se recusam a trabalhar com ele.

4.     Deve fazer devoções todas as manhãs – um ‘momento de silencio’ para a oração e para a leitura da bíblia e de outra leitura religiosa. Se isso não for seguido fielmente, há grave perigo de uma recaída.

5.     Deve estar disposto a ajudar outros alcoólicos a se recuperarem. Isso levanta uma barreira protetora e fortalece sua própria força de vontade e convicções.

6.     É importante, mas não vital, que, com frequência, reúna-se com alcoólicos reformados e juntos formem um companheirismo social e religioso.

7.     Importante, mas não vital, que participe de algum tipo de serviço religioso pelo menos uma vez por semana.


Bill e o Dr. Bob, com o apoio dos primeiros membros do movimento recém-criado, chegaram a um acordo para escrever um programa único que teria como base algo muito próximo dos seis passos iniciais. Entretanto, quando Bill começou a escrever o quinto capítulo - Como Funciona, do livro Alcoólicos Anônimos, onde Os Doze Passos estão relatados, entendeu que esse programa permitia brechas através das quais a racionalização alcoólica poderia fazer em pedaços aqueles passos e se dispôs a fazer o rascunho de mais seis passos, enfatizando mais a postura religiosa de Akron. Isto resultou num formato muito parecido com um desdobramento dos seis passos originais e totalizou doze passos.


Bill gostou do resultado; os membros de Akron, conservadores, também. Já, boa parte dos membros do Grupo de Nova York reagiu muito mal: tinha Deus demais na parada, e não aceitavam se “ajoelharem” perante ninguém como constava no Passo Sete; ponderaram que a média dos alcoólicos não iria aceitar aquilo do jeito que estava.


Os membros que participavam da redação do programa dividiram-se em três grupos: os conservadores, liderados por Fitz M. - o segundo AA de Nova York, eram favoráveis ao pensamento bíblico no sentido doutrinal da palavra; basicamente eram os que seguiam as orientações do Dr. Bob do Grupo de Oxford.


Os liberais formavam o maior contingente e não colocaram objeção ao uso da palavra “Deus”, mas mostraram-se totalmente contrários a qualquer proposta teológica: espiritualidade sim, religião não.


Por último os radicais: não queriam nem Deus nem religião. Liderados por Hank P., o primeiro AA de Nova York, e por Jim B., ex-aluno de escolas religiosas, agnóstico convicto - tinha aversão a todas as igrejas e religiões estabelecidas, consideraram que a palavra Deus deveria ser substituída por um “poder universal”; eram favoráveis a um programa psicológico que atraísse o alcoólico e uma vez dentro do Grupo, o membro poderia aceitar Deus ou não, como quisesse. Após acalorados debates chegou-se a um compromisso formal que Bill W. considerou aceitável, mas que para o futuro de A.A. foi de fundamental importância, já que abria as portas da Irmandade a todos aqueles que queiram se recuperar sem qualquer tipo de condicionamento religioso: ateus, agnósticos, apóstatas, teístas, panteístas, deístas, objetores de consciência, etc. No Passo Dois, foi colocado “um Poder Superior a nós mesmos”, nos Passos Três e Onze, foi inserido “Deus, na forma em que O concebíamos”, descrições estas creditadas a Jim B. embora a primeira também seja dividida com William James (que foi ateu), e que também ajudaram a descrever a Terceira Tradição. Do Passo Sete foi retirado “ajoelhados”, e o conjunto todo deveria ser apresentado como sugestões.


Os liberais formavam o grupo maior, mas tinham desvantagem em relação aos grupos radicais e conservadores juntos. Assim, o programa dá ênfase à espiritualidade, porém, não existindo maioria absoluta prevaleceu o consenso negociado por Hank P. e Jim B. do livre arbítrio, isto é, não-dogmáticoAssim, como sentença de cabeçalho estão escritas estas palavras: “Eis os Passos que aceitamos, os quais são sugeridos como programa de recuperação”.

Portanto, Os Doze Passos de A.A. são apenas sugestões para que qualquer pessoa possa tentar e aceitar. Cada membro pode interpretar à sua vontade estes princípios ou até mesmo nem lhes dar importância se assim o desejar.

O enunciado dos Doze Passos, redigido na primeira pessoa do plural, indica que seus autores foram os primeiros membros do movimento e também coautores do livro “Alcoólicos Anônimos” que deu o nome àquele movimento. Os nove primeiros Passos estão conjugados no pretérito perfeito e neles os pioneiros dizem o que fizeram para alcançar a sobriedade e conseguir a recuperação; nos três últimos Passos, conjugados no presente, eles contam o que continuaram a fazer para manter a sobriedade e a recuperação alcançadas.

Na página 88 do Livro Azul (4ª edição, Junaab, código 102), e nas paredes das salas de A.A.do mundo inteiro em forma de persianas ou banners, são apresentados assim:

“Eis os Passos que aceitamos, os quais são sugeridos como programa de recuperação:”

1.    Admitimos que éramos impotentes perante o álcool – que tínhamos perdido o domínio das nossas vidas.

2.    Viemos acreditar que um poder Superior a nós mesmos poderia devolver-nos a sanidade.

3.    Decidimos entregar nossa vida e nossa vontade aos cuidados de Deus, na forma em que O Concebíamos.

4.    Fizemos minucioso e destemido inventário moral de nós mesmos.

5.    Admitimos perante Deus, perante nós mesmos e perante outro ser humano, a natureza exata das nossas falhas.

6.    Prontificamo-nos inteiramente a deixar que Deus removesse todos esses defeitos de caráter.

7.    Humildemente rogamos a Ele que nos livra-se de nossas imperfeições.

8.    Fizemos uma relação de todas aquelas pessoas que tínhamos prejudicado, e nos dispusemos a reparar os danos a elas causados.

9.    Fizemos reparações diretas dos danos causados a tais pessoas sempre que possível, salvo quando fazê-lo significasse prejudicá-las, ou a outrem.

10.     Continuamos fazendo o inventário pessoal e, quando estávamos errados nós o admitíamos prontamente.

11.     Procuramos, através da prece e da meditação, melhorar nosso contato consciente com Deus, na forma em que O Concebíamos, rogando apenas o conhecimento de Sua vontade em relação a nós, e forças para realizar essa vontade.

12.     Tendo experimentado um despertar espiritual graças a estes passos, procuramos transmitir esta mensagem a outros alcoólicos e praticar estes princípios em todas as nossas atividades.


N.T.: 1 - Embora boa parte dos Doze Passos tenham sido inspirados em preceitos seguidos pelo Grupo de Oxford, este movimento nunca teve em seu programa nada parecido com a denominação de Passos ou Etapas. O núcleo do programa do Grupo de Oxford eram “Os Quatro Absolutos”: honestidade absoluta, abnegação absoluta, pureza absoluta e amor absoluto; tinham também os cinco “Cs”: confiança, confissão, convicção, conversão e continuidade; e ainda os “cinco procedimentos”: entregar-se a Deus, atender a direção de Deus, confirmar a orientação, restituição e compartilhar - para dar testemunho e confessar. (A.A. Atinge a Maioridade, Levar Adiante, etc.)

N.T.: 2 - A ideia de se fazer o programa em Passos numerados parece ter sido inspirada nas “Nove Etapas” para o tratamento do alcoolismo que o terapeuta leigo Richard Peabody advindo do Movimento Emmanuel (ver abaixo), concebeu no livro “O Senso Comum de Beber” de 1931, muito lido pelos primeiros AAs; todavia o teor dos Passos é espiritual e o das Etapas comportamental.



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