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terça-feira, 16 de julho de 2024

Copacabana 1984

 06.12.2011.

Era 1984. Morávamos em Copacabana. Meu pai era repórter fotográfico da extinta Editora Bloch.
   Eu era muito novo naquela época, mas já guardava lembranças.
  Todas as manhãs, meu pai tomava café numa padaria na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, próximo da esquina com a rua Sousa Lima e como de costume, sempre haviam mendigos pedindo algo para comer. Meu pai sempre foi muito solícito em relação aos moradores de rua.
   Teve um desses pedintes que foi se tornando camarada e pontual. Todas as manhãs, ele estava ali com meu pai.
   Me lembro que ele era muito alto, cabelos muito grandes e grudentos e cheirava éter o dia inteiro. Quem morou por ali naquela época, certamente irá se lembrar do forte cheiro que envolvia de três a quatro quarteirões.
   Um belo domingo, quem meu pai convida para almoçar conosco? Esse tal mendigo. Foi um sufoco entrar com ele no elevador. Pessoas ficaram de fora e um senhor reclamou com o zelador da atitude de meu pai.
   No apartamento, meu pai deu um par de roupas ao mendigo e lhe cedeu nosso banheiro. Ele assim tomou banho, trocou de roupa e melhorou um pouco sua barba.
   Quando nos sentamos para almoçar, ele puxou alguns documentos que comprovavam a sua profissão: médico com especialização de cardiologista.
   A recente história do doutor Sócrates me remeteu a essa lembrança...

   Penso que, entre contrair um vício e depois admiti-lo, existe uma distância, que para alguns, chega a ser planetária.



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