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segunda-feira, 22 de julho de 2024

As Doze Tradições de A.A

 

 As Doze Tradições de A.A.=


> Do, Box 4-5-9, Primavera 2011, págs. 1-2. Título original: “Los hijos del caos: El nacimiento de las Trdiciones de A.A”


Inicio da transcrição => “Os aproveitadores se aproveitavam, os solitários lamentavam sua solidão, os comitês entravam em disputa, os novos clubes enfrentavam dificuldades inesperadas, os oradores praticavam o charlatanismo, os grupos eram desgarrados pelas controvérsias, os membros se convertiam em profissionais e vendiam o movimento; por vezes grupos inteiros se embriagavam e as relações públicas locais chegaram a ser um escândalo”. (A linguagem do Coração).

Assim era a situação em alguns dos Grupos da incipiente Irmandade na época pioneira de A.A. conforme Bill W. Com pouca ou nenhuma experiência na nova e exigente aventura da sobriedade, os Grupos de A.A. voavam às cegas.

O programa de recuperação de A.A., tal como expresso nos Doze Passos expostos no Livro Grande (Livro Azul, no Brasil), alastrava-se como fogo – de um alcoólico para outro, por todo o país (EUA) e inclusive em países de ultramar. Com reportagens favoráveis em vários meios de comunicação e o crescente apoio da medicina e da religião, A.A. foi sendo cada vez mais conhecida. Alcoólicos estavam conseguindo sobriedade e essas boas novas difundiam-se rapidamente.

Entretanto, os recém criados Grupos dispunham de poucos recursos para seu apoio e orientação, com exceção do profundo desejo de seus membros individualmente se manterem sóbrios. Tudo tinha que ser definido dia após dia e baseados na experiência pessoal e individual por meio de um sistema de tentativas, aprendendo com os erros e assim descobrir o que funcionava ou não. Regras foram criadas para em seguida serem quebradas, estabeleceram-se normas que logo foram descartadas, e inevitavelmente, surgiram disputas, muitas vezes acirradas, referentes às relações dos próprios membros, uns com os outros, e com o mundo exterior.

Nas primeiras décadas de A.A., havia muitos problemas para enfrentar e, na medida em que a quantidade de membros aumentava a cada ano, os desafios decorrentes para viver e trabalhar juntos, não apenas como indivíduos, mas também como Grupos, iam-se empilhando. O sucesso e a maior visibilidade vinham acompanhados de suspeitas, ciúmes e ressentimento. Haviam conflitos relacionados com todos os assuntos imagináveis: o uso do dinheiro, as operações dos clubes, o uso inapropriado do nome de A.A., a liderança e os romances.

Os costumes nas reuniões variavam de um Grupo para outro; algumas reuniões eram compostas principalmente por bêbados de classes mais baixas; outras davam preferência aos bêbados das classes mais altas; alguns Grupos permitiam a volta de quem tinha recaído, enquanto outros acreditavam que essas pessoas deveriam ser excomungadas. “Parecia que cada participante em cada desacordo dos Grupos de todo o país, nos estivesse escrevendo durante esse confuso e apaixonado período”, disse Bill W. em ‘A.A. Atinge a Maioridade’. Os problemas descritos por esses membros ameaçavam tumultuar a Irmandade nascente e numa carta de 1950 dirigida a um membro de A.A. de Michigan, Bill W. disse: “Quando chegavam à minha mesa no escritório as cartas em que descreviam as dores de crescimento dos primeiros Grupos, passava a noite deitado na cama sem poder conciliar o sono. Parecia-me que as forças da desintegração iam desgarrar nossos Grupos pioneiros...”.

Alcoólicos Anônimos não foi a primeira Irmandade que embarcou à deriva nas armadilhas e nos conflitos gerados pelo sucesso perigoso. A Sociedade Washingtoniana, um movimento criado quase um século antes (N.T.: em abril de 1840) e dedicado ao resgate de bêbados quase havia descoberto a solução para o problema do alcoolismo. Em seu começo, a sociedade, que se originou em Baltimore, estava composta somente por alcoólicos que se esforçavam para se ajudar os uns a os outros. Tiveram considerável sucesso e o movimento prosperou alcançando mais de 500.000 membros. Porém, os Washingtonianos deixaram que políticos e reformadores, alcoólicos e não alcoólicos fizessem uso da sociedade para seus próprios fins e, em que pesem suas intenções expressas de não se meter na política, na religião e no comercio, muitos membros adotaram publicamente posturas opostas em questões de reforma de políticas referentes ao alcoolismo e outros assuntos do dia a dia. Num prazo de oito a nove anos, segundo reportagens da época, perderam seu atrativo. No banquete anual de A.A. em Nova York, em sete de novembro de 1945, Bill W. disse: “Em resumidas palavras, os Washingtonianos puseram-se a resolver os problemas do mundo antes de solucionar os seus. Não tiveram a capacidade de ocupar-se unicamente de seus assuntos”.

O Grupo de Oxford, uma organização religiosa da qual brotaram as sementes de A.A. e que deu origem a alguns dos princípios e preceitos básicos da Irmandade, também oferece exemplos do que não deve ser feito. No livro ‘A.A. Atinge a Maioridade’, Bill W. escreveu: “Os AAs pioneiros extraíram suas ideias de autoexame, reconhecimento dos defeitos de caráter, reparações pelos danos causados e o trabalho com os outros, direta e unicamente do Grupo de Oxford e particularmente de Sam Shoemaker, seu líder nos EUA”. Entretanto, embora o Grupo de Oxford se preocupasse profundamente com a sorte dos alcoólicos, alguns costumes desse Grupo incomodavam a Bill W. Embora seja o responsável por impulsionar alguns dos princípios espirituais de A.A., as diferenças acabaram por causar a separação dos dois movimentos. Como Bill W. disse uma vez: “O grupo de Oxford queria salvar o mundo e eu somente queria salvar os bêbados”.

Aproveitando-se do exemplo dos Grupos precursores e da cada vez mais ampla experiência retirada de suas próprias lutas internas durante sua primeira década, A.A. ia-se aproximando dia a dia de um conjunto de princípios práticos que pudessem orientar e proteger a vida dos Grupos de A.A.


Em 1946, na revista Grapevine, os fundadores e membros pioneiros codificaram esse princípios e publicaram-nos com o titulo de “Os Doze pontos para assegurar o nosso futuro” (1).

“Filhos do caos” escreveu Bill W. num ensaio sobre a Quarta Tradição, “de maneira desafiadora brincamos com fogo repetidas vezes, saímos ilesos e, conforme percebemos, mais sábios que antes. Estes mesmos desvios constituíram um vasto processo de provas e tentativas, o qual, pela graça de Deus, nos trouxe a onde hoje nos encontramos”.

Conforme Bill W., a acolhida proporcionada às Tradições nos anos de 1940, não foi das mais calorosas. “Apenas Grupos em grandes dificuldades as levaram a sério. Em algumas partes até reação violenta houve, principalmente naqueles Grupos que tinham longas listas de regras e regulamentos ‘protetores’. Havia, também, muita apatia e indiferença”.

Entretanto, e com o passar do tempo, tudo isso mudou e poucos anos mais tarde, por ocasião da Primeira Convenção Internacional de Cleveland, Ohio, em julho de 1950, vários milhares de membros de A.A. declararam que as Tradições de A.A. constituíam “a plataforma sobre a qual nossa Irmandade poderia funcionar melhor e se manter unida para sempre”. Deram-se conta de que nossas Tradições resultariam tão necessárias à nossa sociedade quanto o tinham sido os Doze Passos para a vida de cada membro. Conforme a opinião da Convenção de Cleveland, as Tradições eram a chave da unidade, do funcionamento e inclusive da sobrevivência de todos nós e a Irmandade na sua totalidade aceitou e aprovou esses princípios. Mais tarde, em abril de 1953, foi publicado o livro “Os Doze Passos e as Doze Tradições”, que a Irmandade utiliza como guia para a recuperação individual e para a sobrevivência coletiva.


Fazendo eco àquelas palavras, J. B., um membro de Modesto, Califórnia, escreveu na Grapevine de abril de 1984: “As Doze Tradições não são uma mera coleção de guias estabelecidos por ‘eles’ e transmitidas a nós com a ordem incondicional de que ‘isto é o que vocês têm que fazer, e ponto’. As Tradições são o fruto da experiência e dos erros que quase destroçaram nossa Irmandade e as aceitamos de bom grado.

Ao falar das Tradições, falamos da vida e da morte. Não posso viver sem A.A. Mas você e eu somos A.A. Temos que ser responsáveis por nós mesmos, apesar de nós mesmos. Eu tenho que ser responsável apesar de mim mesmo, e, de responsabilidade é do que tratam as Tradições”.


N.T.(1): “...Foi assim que nasceu a forma integral das Tradições como se conhecem hoje (2). Depois de ouvir ideias e opiniões de membros de A.A. e de fora, foram publicadas na edição de abril de 1946 da recém criada revista de A.A. Internacional Grapevine, à época com apenas dois anos de existência.

Um ano mais tarde, as Tradições foram resumidas para a forma curta que conhecemos hoje. Isso foi feito por sugestão de Earl T., fundador do primeiro Grupo de Chicago, aparentemente para que as Tradições tivessem à mesma altura dos Passos. Más, também foram resumidas porque, embora poucos membros colocaram objeções às ideias expressadas na forma integral, muitos acreditavam que os enunciados eram muito longos e difíceis de lembrar. O rascunho final da forma curta foi aprovado na primeira Convenção Internacional de Cleveland, Ohio, em julho de 1950, e nessa forma apareceram também na Grapevine e assim continuam até hoje”.


N.T.(2): No começo conhecidos como “Os Doze pontos para assegurar o nosso futuro”, estes princípios passaram a se chamar “As Doze Tradições de Alcoólicos

Anônimos” a partir de 01 de junho de 1949



As Doze Tradições de A.A. (forma Integral, ou forma Longa):

1.         Cada membro de Alcoólicos Anônimos é apenas uma pequena parte de um grande todo. A.A. precisa continuar a viver ou a maioria de nós certamente morrerá. Portanto, nosso bem-estar comum vem em primeiro lugar. Entretanto, o bem-estar individual vem logo depois.

2.         Para o propósito de nosso grupo, há somente uma autoridade final – um Deus amantíssimo que se manifesta em nossa consciência coletiva.

3.         Nossa Irmandade deve incluir todos os que sofrem do alcoolismo. Não podemos, portanto, recusar quem quer que deseje se recuperar. A condição para tornar-se membro não deve nunca depender de dinheiro ou formalidade. Dois ou três alcoólicos quaisquer reunidos em busca de sobriedade podem se autodenominar um grupo de A.A., desde que como grupo, não tenha outra afiliação.

4.         Com respeito a seus próprios assuntos, nenhum grupo de A.A. está sujeito a autoridade alguma além de sua própria consciência. Quando, porém, seus planos interferirem no bem-estar de grupos vizinhos, estes devem ser consultados. Nenhum grupo, comitê regional ou membro deve tomar qual- quer atitude que possa afetar seriamente A.A. como um todo, sem consultar os custódios da Junta de Serviços Gerais. Em tais questões, nosso bem-estar comum tem absoluta primazia.

5.         Cada grupo de Alcoólicos Anônimos deve ser uma entidade espiritual com um único propósito primordial - o de levar sua mensagem ao alcoólico que ainda sofre.

6.         Problemas de dinheiro, propriedade e autoridade podem facilmente nos afastar de nosso objetivo espiritual primordial. Acreditamos, portanto, que quaisquer bens de valor considerável, de real utilidade a A.A. devem ser incorporados e administrados separadamente, fazendo-se assim uma divisão entre o material e o espiritual. Um grupo de A.A., como tal, jamais deveria dedicar-se a negócios. Entidades secundárias de auxílio a A.A., tais como clubes ou hospitais, que requeiram muitos bens materiais e muita administração devem ser incorporadas separadamente de forma que, se necessário, possam os grupos livremente descartar-se delas. Tais instituições não deveriam, portanto, usar o nome de A.A. Sua administração deve ser de exclusiva responsabilidade de quem as financia. Para os clubes, são em geral preferíveis gerentes que sejam membros de A.A. Mas os hospitais e outros centros de recuperação devem, porém, ficar bem afastados de A.A. e ter supervisão médica. Embora um grupo de A.A. possa cooperar com quem quer que seja, tal cooperação nunca deve chegar ao ponto de filiação ou endosso, real ou implícito. Um grupo de A.A. não pode vincular-se a ninguém.

7.         Os grupos de A.A. devem ser inteiramente financiados pelas contribuições voluntárias de seus próprios membros. Acreditamos que cada grupo deve atingir essa meta em pouco tempo; que qualquer solicitação de fundos usando-se o nome


de A.A. é altamente perigosa seja ela feita por grupos, clubes, hospitais ou outras agências alheias; que a aceitação de grandes donativos de qualquer fonte ou de contribuições que acarretem quaisquer obrigações não é prudente. Vemos ainda com muita preocupação aquelas tesourarias de A.A. que continuam a acumular dinheiro além da reserva prudente, sem um propósito específico. A experiência tem nos demonstrado frequentemente, que nada pode destruir nosso patrimônio espiritual com tanta certeza, como as discussões fúteis sobre propriedade, dinheiro e autoridade.

8.         Alcoólicos Anônimos deverá manter-se sempre não profissional. Definimos profissionalismo como utilização do aconselhamento a alcoólicos em troca de honorários ou salário. Entretanto, podemos empregar alcoólicos para desempenhar aquelas funções para as quais, em outras circunstâncias, teríamos que contratar não alcoólicos. Tais funções especiais podem ser bem recompensados. Mas nosso trabalho habitual de Décimo Segundo Passo jamais deve ser pago.

9.         Cada grupo de A.A. necessita da menor organização possível. A forma rotativa da liderança é a melhor. O grupo pequeno pode eleger um secretário, o grupo grande seu comitê rotativo e os grupos de uma ampla região metropolitana seu comitê central ou intergrupal, o qual frequentemente emprega um secretário em tempo integral. Os Custódios da Junta de Serviços Gerais se constituem, na realidade, em nosso Comitê de Serviços Gerais de A.A. São eles os guardiães de nossa Tradição de A.A. e os depositários das contribuições voluntárias de A.A., através das quais mantemos nosso Escritório de Serviços Gerais. Eles são autorizados pelos grupos a cuidar de nossas relações públicas em geral e garantem a integridade de nosso principal órgão de divulgação: a revista Vivência Todos esses representantes têm suas ações guiadas pelo espírito de serviço, pois os verdadeiros líderes em A.A. são apenas servidores experientes e de confiança da Irmandade. Seus títulos não lhes conferem nenhuma autoridade real e eles não governam. O respeito universal é a chave para sua utilidade.

10.     Nenhum grupo ou membro de A.A. deve jamais expressar, de forma a envolver A.A., qualquer opinião sobre assuntos controversos alheios à Irmandade – particularmente sobre política, medidas de combate ao álcool ou sectarismo religioso. Os grupos de A.A. não se opõem a nada. Com respeito a tais assuntos, eles não devem expressar qualquer opinião.

11.     Nossas relações com o público em geral devem caracterizar-se pelo anonimato pessoal. Acreditamos que A.A. deve evitar a publicidade sensacionalista. Nossos nomes e fotografias, como membros de A.A., não devem ser divulgados pelo rádio, filmados ou publicamente impressos. Nossas relações públicas devem orientar-se pelo princípio da atração e não da promoção. Nunca há necessidade de elogiarmos a nós mesmos. Achamos melhor deixar que nossos amigos nos recomendem.

12.     Finalmente, nós de Alcoólicos Anônimos, acreditamos que o princípio do anonimato tem uma enorme significação espiritual. Lembra-nos que devemos colocar os princípios acima das personalidades; que devemos realmente conduzir- nos com genuína humildade. Isso para que as nossas grandes bênçãos jamais nos corrompam, a fim de que vivamos para sempre em grata contemplação d’Aquele que preside todos nós.


                 As Doze Tradições de A.A. (forma Curta):

1.         Nosso bem-estar comum deve estar em primeiro lugar. A reabilitação individual depende da unidade de A.A.

2.         Somente uma autoridade preside, em última análise, o nosso propósito comum – Um Deus amantíssimo, que se manifesta em nossa consciência coletiva. Nossos líderes são apenas servidores de confiança; não tem poderes para governar.

3.         Para ser membro de A.A., o único requisito é o desejo de parar de beber.

4.         Cada Grupo deve ser autônomo, salvo em assuntos que digam respeito a outros Grupos ou à Irmandade em seu conjunto.

5.         Cada Grupo é animado de um único propósito primordial: o de transmitir sua mensagem ao alcoólico que ainda sofre.

6.         Nenhum Grupo de A.A. deverá jamais sancionar, financiar ou ceder o nome de

A.A. a qualquer sociedade ou empreendimento afim ou alheio à Irmandade, para que problemas de dinheiro, prestígio e propriedade não nos afastem de nosso objetivo primordial.

7.         Todos os Grupos de A.A. deverão ser absolutamente autossuficientes, rejeitando quaisquer doações de fora.

8.         Alcoólicos Anônimos deverá manter-se sempre não profissional, embora nossos órgãos de serviços possam contratar trabalhadores especializados.

9.         Alcoólicos Anônimos jamais deverá organizar-se como tal; poderemos, porém, criar juntas ou comitês de serviço diretamente responsáveis perante aqueles a quem prestam serviços.

10.     Alcoólicos Anônimos não opina sobre questões alheias à Irmandade; portanto, o nome de A.A. jamais deverá aparecer em controvérsias públicas.

11.     Nossas relações com o público baseiam-se na atração em vez da promoção; cabe- nos sempre preservar o anonimato pessoal na imprensa, no rádio e em filmes.

12.     O anonimato é o alicerce espiritual das nossas Tradições, lembrando-nos sempre de colocar os princípios acima das personalidades.



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