As Doze Tradições de A.A.=
> Do, Box 4-5-9, Primavera 2011, págs. 1-2. Título original: “Los hijos del caos: El nacimiento de las Trdiciones de A.A”
Inicio da transcrição => “Os aproveitadores se aproveitavam,
os solitários lamentavam sua solidão, os comitês entravam em disputa, os novos
clubes enfrentavam dificuldades inesperadas, os oradores praticavam o
charlatanismo, os grupos eram desgarrados pelas controvérsias, os membros se
convertiam em profissionais e vendiam o movimento; por vezes grupos inteiros se
embriagavam e as relações públicas locais chegaram a ser um escândalo”. (A
linguagem do Coração).
Assim era a situação em alguns dos Grupos da incipiente Irmandade na
época pioneira de A.A. conforme Bill W. Com pouca ou nenhuma experiência na
nova e exigente aventura da sobriedade, os Grupos de A.A. voavam às cegas.
O programa de recuperação de A.A., tal como expresso nos Doze Passos
expostos no Livro Grande (Livro Azul, no Brasil), alastrava-se como fogo – de
um alcoólico para outro, por todo o país (EUA) e inclusive em países de
ultramar. Com reportagens favoráveis em vários meios de comunicação e o
crescente apoio da medicina e da religião, A.A. foi sendo cada vez mais conhecida.
Alcoólicos estavam conseguindo sobriedade e essas boas novas difundiam-se rapidamente.
Entretanto, os recém criados Grupos dispunham de poucos recursos para
seu apoio e orientação, com exceção do profundo desejo de seus membros
individualmente se manterem sóbrios. Tudo tinha que ser definido dia após dia e baseados
na experiência pessoal
e individual por meio de um
sistema de tentativas, aprendendo com os erros e assim descobrir o que
funcionava ou não. Regras foram criadas para em seguida serem quebradas,
estabeleceram-se normas que logo foram descartadas, e inevitavelmente, surgiram
disputas, muitas vezes acirradas, referentes às relações dos próprios membros,
uns com os outros, e com o mundo exterior.
Nas primeiras décadas de A.A., havia muitos problemas para enfrentar e, na medida em que a quantidade de membros aumentava a cada ano, os desafios decorrentes para viver e trabalhar juntos, não apenas como indivíduos, mas também como Grupos, iam-se empilhando. O sucesso e a maior visibilidade vinham acompanhados de suspeitas, ciúmes e ressentimento. Haviam conflitos relacionados com todos os assuntos imagináveis: o uso do dinheiro, as operações dos clubes, o uso inapropriado do nome de A.A., a liderança e os romances.
Os costumes nas reuniões variavam de um Grupo para outro;
algumas reuniões eram compostas
principalmente por bêbados de classes mais baixas; outras davam preferência aos
bêbados das classes mais altas; alguns Grupos permitiam a volta de quem tinha
recaído, enquanto outros acreditavam que essas pessoas deveriam ser
excomungadas. “Parecia que cada
participante em cada desacordo dos Grupos de todo o país, nos estivesse
escrevendo durante esse confuso e apaixonado período”, disse Bill W. em ‘A.A. Atinge a Maioridade’. Os problemas
descritos por esses membros ameaçavam tumultuar a Irmandade nascente e numa
carta de 1950 dirigida a um membro de A.A. de Michigan, Bill W. disse: “Quando chegavam
à minha mesa no escritório as cartas em que descreviam as dores de
crescimento dos primeiros Grupos, passava a noite deitado na cama sem poder
conciliar o sono. Parecia-me que as forças da desintegração iam desgarrar
nossos Grupos pioneiros...”.
Alcoólicos Anônimos não foi a primeira Irmandade que embarcou à deriva
nas armadilhas e nos conflitos gerados pelo sucesso perigoso. A Sociedade Washingtoniana, um movimento
criado quase um século antes (N.T.: em abril de 1840) e dedicado ao resgate de bêbados quase havia descoberto a
solução para o problema do alcoolismo. Em seu começo, a sociedade, que se originou em Baltimore, estava composta
somente por alcoólicos que se esforçavam para se ajudar os uns a os outros.
Tiveram considerável sucesso e o movimento prosperou alcançando mais de 500.000 membros. Porém, os Washingtonianos
deixaram que políticos e reformadores, alcoólicos e não alcoólicos
fizessem uso da sociedade para seus próprios fins e, em que pesem suas
intenções expressas de não se meter na política, na religião e no comercio,
muitos membros adotaram publicamente posturas opostas em questões de reforma de
políticas referentes ao alcoolismo e outros assuntos do dia a dia. Num prazo de
oito a nove anos, segundo reportagens da época, perderam seu atrativo. No banquete anual de A.A. em Nova York, em
sete de novembro de 1945, Bill W.
disse: “Em resumidas palavras, os Washingtonianos
puseram-se a resolver os problemas do
mundo antes de solucionar os seus. Não tiveram a capacidade de ocupar-se
unicamente de seus assuntos”.
O Grupo de Oxford,
uma organização religiosa da qual brotaram as sementes de A.A. e que deu origem a alguns dos princípios e
preceitos básicos da Irmandade, também oferece
exemplos do que não deve ser feito. No livro ‘A.A. Atinge a Maioridade’,
Bill W. escreveu: “Os AAs pioneiros
extraíram suas ideias de autoexame, reconhecimento dos defeitos de caráter,
reparações pelos danos causados e o trabalho com os outros, direta e unicamente
do Grupo de Oxford e particularmente de Sam Shoemaker, seu líder nos EUA”. Entretanto,
embora o Grupo de Oxford se preocupasse profundamente com a sorte dos
alcoólicos, alguns costumes desse Grupo incomodavam a Bill W. Embora seja o
responsável por impulsionar alguns dos princípios espirituais de A.A., as
diferenças acabaram por causar a separação dos dois movimentos. Como Bill W.
disse uma vez: “O grupo de Oxford queria
salvar o mundo e eu somente queria salvar os bêbados”.
Aproveitando-se
do exemplo dos Grupos precursores e da cada vez mais ampla experiência retirada
de suas próprias lutas internas durante sua primeira década, A.A. ia-se aproximando dia a dia de um conjunto de princípios
práticos que pudessem orientar e proteger a vida dos Grupos de A.A.
Em 1946, na
revista Grapevine, os fundadores e membros pioneiros codificaram esse princípios e publicaram-nos com o titulo
de “Os
Doze pontos para assegurar o nosso futuro” (1).
“Filhos do caos” escreveu
Bill W. num ensaio sobre a Quarta Tradição, “de
maneira desafiadora brincamos com fogo repetidas vezes, saímos ilesos e,
conforme percebemos, mais sábios que antes. Estes mesmos desvios constituíram
um vasto processo de provas e tentativas, o qual, pela graça de Deus, nos
trouxe a onde hoje nos encontramos”.
Conforme Bill W., a acolhida proporcionada às Tradições nos
anos de 1940, não foi das mais
calorosas. “Apenas Grupos em grandes
dificuldades as levaram a sério. Em algumas partes até reação violenta houve, principalmente naqueles Grupos que
tinham longas listas de regras e regulamentos ‘protetores’. Havia, também, muita apatia e
indiferença”.
Entretanto, e com o passar do tempo, tudo isso mudou e poucos anos mais tarde, por ocasião
da Primeira Convenção Internacional de Cleveland, Ohio, em julho de 1950, vários milhares de membros de
A.A. declararam que as Tradições de A.A. constituíam “a plataforma sobre a qual
nossa Irmandade poderia funcionar melhor e se manter unida para sempre”. Deram-se
conta de que nossas Tradições resultariam tão necessárias à nossa sociedade
quanto o tinham sido os Doze Passos para a vida de cada membro. Conforme a
opinião da Convenção de Cleveland, as Tradições eram a chave da unidade, do
funcionamento e inclusive da sobrevivência de todos nós e a Irmandade na sua
totalidade aceitou e aprovou esses princípios. Mais tarde, em abril de 1953, foi publicado o livro “Os Doze Passos e as Doze Tradições”, que a Irmandade utiliza como guia para
a recuperação individual e para a sobrevivência coletiva.
Fazendo eco àquelas palavras, J. B., um membro de Modesto,
Califórnia, escreveu na Grapevine de abril de 1984: “As Doze Tradições não
são uma mera coleção de guias estabelecidos por ‘eles’ e transmitidas a nós com a ordem incondicional de que ‘isto é o que
vocês têm que fazer, e ponto’. As
Tradições são o fruto da experiência e dos erros que quase destroçaram nossa
Irmandade e as aceitamos de bom grado.
Ao falar das Tradições,
falamos da vida e da morte. Não posso viver sem A.A. Mas você e eu somos A.A.
Temos que ser responsáveis por nós mesmos, apesar de nós mesmos. Eu tenho que
ser responsável apesar de mim mesmo, e, de responsabilidade é do que tratam as
Tradições”.
N.T.(1): “...Foi assim que nasceu a forma
integral das Tradições como se conhecem hoje (2). Depois
de ouvir ideias e opiniões de membros de A.A. e de fora, foram publicadas na edição de abril de 1946 da recém criada revista
de A.A. Internacional Grapevine,
à época com apenas dois anos de existência.
Um ano mais tarde, as Tradições foram resumidas para a forma curta que conhecemos hoje. Isso foi feito por sugestão de Earl T., fundador do primeiro Grupo de Chicago, aparentemente para que as Tradições tivessem à mesma altura dos Passos. Más, também foram resumidas porque, embora poucos membros colocaram objeções às ideias expressadas na forma integral, muitos acreditavam que os enunciados eram muito longos e difíceis de lembrar. O rascunho final da forma curta foi aprovado na primeira Convenção Internacional de Cleveland, Ohio, em julho de 1950, e nessa forma apareceram também na Grapevine e assim continuam até hoje”.
N.T.(2): No começo conhecidos como “Os Doze pontos para assegurar o nosso futuro”, estes princípios passaram a se chamar “As Doze Tradições de Alcoólicos
Anônimos” a partir de 01 de junho de 1949
As Doze Tradições de A.A. (forma Integral, ou forma Longa):
1.
Cada membro de Alcoólicos Anônimos
é apenas uma pequena parte de um grande todo. A.A. precisa continuar a viver ou
a maioria de nós certamente morrerá. Portanto, nosso bem-estar comum vem em
primeiro lugar. Entretanto, o bem-estar individual vem logo depois.
2.
Para o propósito de nosso grupo, há
somente uma autoridade final – um Deus amantíssimo que se manifesta em nossa
consciência coletiva.
3.
Nossa Irmandade deve incluir todos
os que sofrem do alcoolismo. Não podemos, portanto, recusar quem quer que
deseje se recuperar. A condição para tornar-se membro não deve nunca depender
de dinheiro ou formalidade. Dois ou três alcoólicos quaisquer reunidos em busca de sobriedade podem se autodenominar um grupo de A.A., desde que como grupo, não tenha outra
afiliação.
4.
Com respeito a seus próprios
assuntos, nenhum grupo de A.A. está sujeito a autoridade alguma além de sua
própria consciência. Quando, porém, seus planos interferirem no bem-estar de
grupos vizinhos, estes devem ser consultados.
Nenhum grupo, comitê regional ou membro deve tomar qual- quer atitude
que possa afetar seriamente A.A. como um todo, sem consultar os custódios da Junta de Serviços Gerais. Em tais questões,
nosso bem-estar comum tem absoluta primazia.
5.
Cada grupo de Alcoólicos Anônimos
deve ser uma entidade espiritual com um
único propósito primordial - o de levar sua mensagem
ao alcoólico que ainda sofre.
6.
Problemas de dinheiro, propriedade
e autoridade podem facilmente nos afastar de nosso objetivo espiritual
primordial. Acreditamos, portanto, que quaisquer bens de valor considerável, de real utilidade a A.A. devem
ser incorporados e administrados
separadamente, fazendo-se assim uma divisão entre o material e o espiritual. Um
grupo de A.A., como tal, jamais deveria dedicar-se a negócios. Entidades
secundárias de auxílio a A.A., tais como clubes ou hospitais, que requeiram
muitos bens materiais e muita administração devem ser incorporadas
separadamente de forma que, se necessário, possam os grupos livremente
descartar-se delas. Tais instituições não deveriam, portanto, usar o nome de
A.A. Sua administração deve ser de exclusiva responsabilidade de quem as financia.
Para os clubes, são em geral
preferíveis gerentes que sejam membros de A.A. Mas os hospitais e outros
centros de recuperação devem, porém, ficar bem afastados de A.A. e ter
supervisão médica. Embora um grupo de
A.A. possa cooperar com quem quer que seja, tal cooperação nunca deve chegar ao
ponto de filiação ou endosso, real ou implícito. Um grupo de A.A. não pode
vincular-se a ninguém.
7.
Os grupos de A.A. devem ser
inteiramente financiados pelas contribuições voluntárias de seus próprios
membros. Acreditamos que cada grupo deve atingir essa meta em pouco tempo; que qualquer solicitação de
fundos usando-se o nome
de
A.A. é altamente perigosa seja ela feita por grupos, clubes, hospitais ou
outras agências alheias; que a aceitação de grandes donativos de qualquer fonte
ou de contribuições que acarretem quaisquer obrigações não é prudente. Vemos
ainda com muita preocupação aquelas tesourarias de A.A. que continuam a
acumular dinheiro além da reserva prudente, sem um propósito
específico. A experiência tem nos demonstrado frequentemente, que
nada pode destruir nosso patrimônio espiritual com tanta certeza, como as
discussões fúteis sobre propriedade, dinheiro
e autoridade.
8.
Alcoólicos Anônimos deverá
manter-se sempre não profissional. Definimos profissionalismo como utilização
do aconselhamento a alcoólicos em troca de honorários ou salário. Entretanto,
podemos empregar alcoólicos para desempenhar aquelas funções para as quais, em
outras circunstâncias, teríamos que contratar não alcoólicos. Tais funções
especiais podem ser bem recompensados. Mas nosso trabalho habitual de Décimo
Segundo Passo jamais deve ser pago.
9.
Cada grupo de A.A. necessita da
menor organização possível. A forma rotativa da liderança é a melhor. O grupo
pequeno pode eleger um secretário, o grupo grande seu comitê rotativo e os
grupos de uma ampla região metropolitana seu comitê central ou intergrupal, o
qual frequentemente emprega um secretário em tempo integral. Os Custódios da
Junta de Serviços Gerais se constituem, na realidade, em nosso Comitê de
Serviços Gerais de A.A. São eles os guardiães de nossa Tradição de A.A. e os
depositários das contribuições voluntárias de A.A., através das quais mantemos
nosso Escritório de Serviços Gerais. Eles são autorizados pelos grupos a cuidar
de nossas relações públicas em geral e garantem a integridade de nosso
principal órgão de divulgação: a revista Vivência
Todos esses representantes têm suas ações
guiadas pelo espírito de serviço,
pois os verdadeiros líderes em A.A.
são apenas servidores experientes e de confiança da Irmandade. Seus
títulos não lhes conferem nenhuma autoridade real e eles não governam. O respeito
universal é a chave para sua utilidade.
10.
Nenhum grupo ou membro de A.A. deve
jamais expressar, de forma a envolver A.A., qualquer opinião sobre assuntos
controversos alheios à Irmandade – particularmente sobre política, medidas de
combate ao álcool ou sectarismo religioso. Os grupos de A.A. não se opõem a
nada. Com respeito a tais assuntos, eles não devem expressar qualquer opinião.
11.
Nossas relações com o público em
geral devem caracterizar-se pelo anonimato pessoal. Acreditamos que A.A. deve
evitar a publicidade sensacionalista. Nossos nomes e fotografias, como membros
de A.A., não devem ser divulgados
pelo rádio, filmados ou publicamente
impressos. Nossas relações públicas devem orientar-se pelo princípio da atração
e não da promoção. Nunca há necessidade de elogiarmos a nós mesmos. Achamos melhor deixar que nossos amigos nos
recomendem.
12. Finalmente, nós de Alcoólicos Anônimos, acreditamos que o princípio do anonimato tem uma enorme significação espiritual. Lembra-nos que devemos colocar os princípios acima das personalidades; que devemos realmente conduzir- nos com genuína humildade. Isso para que as nossas grandes bênçãos jamais nos corrompam, a fim de que vivamos para sempre em grata contemplação d’Aquele que preside todos nós.
As Doze Tradições
de A.A. (forma
Curta):
1.
Nosso bem-estar comum deve estar em
primeiro lugar. A reabilitação individual depende da unidade de A.A.
2.
Somente
uma autoridade preside, em última análise, o nosso propósito comum – Um Deus
amantíssimo, que se manifesta em nossa consciência coletiva. Nossos líderes são
apenas servidores de confiança; não tem poderes para governar.
3.
Para ser membro
de A.A., o único requisito
é o desejo de parar de beber.
4.
Cada Grupo deve ser autônomo, salvo em assuntos
que digam respeito
a outros Grupos ou à
Irmandade em seu conjunto.
5.
Cada Grupo é animado
de um único propósito primordial: o de transmitir sua mensagem ao alcoólico que ainda sofre.
6.
Nenhum Grupo de A.A. deverá
jamais sancionar, financiar
ou ceder o nome de
A.A.
a qualquer sociedade ou empreendimento afim ou alheio à Irmandade, para que
problemas de dinheiro, prestígio e propriedade não nos afastem de nosso
objetivo primordial.
7.
Todos os Grupos de A.A. deverão ser
absolutamente autossuficientes, rejeitando quaisquer doações de fora.
8.
Alcoólicos Anônimos deverá
manter-se sempre não profissional, embora nossos órgãos de serviços possam
contratar trabalhadores especializados.
9.
Alcoólicos Anônimos jamais deverá
organizar-se como tal; poderemos, porém, criar
juntas ou comitês de serviço diretamente responsáveis perante aqueles a quem
prestam serviços.
10.
Alcoólicos Anônimos não opina sobre
questões alheias à Irmandade; portanto, o nome de A.A. jamais deverá aparecer
em controvérsias públicas.
11.
Nossas relações com o público
baseiam-se na atração em vez da promoção; cabe- nos sempre preservar o
anonimato pessoal na imprensa, no rádio e em filmes.
12.
O anonimato é o alicerce espiritual
das nossas Tradições, lembrando-nos sempre de colocar os princípios acima das
personalidades.
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