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sexta-feira, 5 de janeiro de 2024

PRAZO POÉTICO

 

28.04.2012.


 
 
Agora sim, estava soberbo de tanta lucidez, o que o colocava bastante a frente do máximo que lhe era possível estar e esse era seu limite.
Agora sim, suas reminiscências o recolocava entre os cafezais floridos no mês de agosto no início da década de algum século destravado.
Agora sim, justaposto à coerência que lhe fora magicamente concedida, tornava-se resistente a si mesmo e isso o bastava deveras.
 
Ele viu-se no Museu da Cerveja em Blumenau no ano de 2005 aguardando o horário do ônibus que o levaria a aventuras na Terra da Maçã.
Ele viu-se junto a outros três em suas bicicletas de Porto Velho a Manaus, fogueiras de folhas secas de palmeiras e muito cupuaçu.
Ele viu-se em suas caminhadas diárias pelos trilhos do trem entre Paty do Alferes e Miguel Pereira encasacado na Terra do Tomate.
 
Olhou para sua vida e reparou que ela era composta de livros lidos, de livros a serem lidos e percebeu-se apaixonado por Voltaire.
Olhou para sua vida e reparou que sua inconstância, estruturava em uma planificação de coragem e credenciais psicológicas.
Olhou para sua vida e reparou que no corte do cordão umbilical, renascia, renascia, renascia sempre autônomo e distinto.
 
Entre sopesos e lamúrias, ele escolheu um caminho só seu.
Entre violência e força, ele escolheu ser uma pessoa legal.
Entre cioso de si e destaque, ele escolheu gostar.

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