15.10.2011.
sempre enxerguei muito bem. Meus pais usavam óculos. Nunca usei. Sempre li em conduções sem ter enxaqueca. Por ter trabalhado por quase 16 anos em gráficas, leio facilmente qualquer corpo de fonte e de longe. Bula de remédio para mim é letra gigante. Só tem uma hora em que minha visão se turva de delírios e a opacidade da mesma me faz achar que estou no paraíso: quando vejo a pureza de minha Ana Julia. Nos demais momentos, que não esse, minha visão é grande angular e quando não irônica e sarcástica, um sorriso de canto de boca que mais se parece com despeito, mas não o é: a vida é que me é desagradável. Eu é que me possibilito momentos de felicidade, quando não Ana Julia. O resto é absurdo, fome, miséria em todas as suas formas e potências desgraçadamente explícitas nessa sociedade injusta... aos meus olhos. Mas estou no turbilhão e não permito que pisem em minha cabeça, pois hoje ela está erguida.
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