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sábado, 23 de dezembro de 2023

TRANSTORNO DE PERSONALIDADE

 

15.06.2012.
 



 
Não espere pelo julgamento final, ele acontece todos os dias.
Albert Camus.
 
A vida vai passando e vamos acumulando experiências nem sempre satisfatórias e que correspondam às nossas expectativas. A frustração seguida de outra frustração pode ser analisada por um lado: tentamos algo – como por outro: algo que não nos cabia e, ainda: cabia, mas não era a ocasião propícia.
 
Conviver com isso e saber driblar os transtornos causados é que é o problema... ou a salvação.
 
Uso de algo que chamaria artifício, mas que talvez não o seja: flexibilidade comigo. Gostaria muito que tivesse acontecido, mas não aconteceu. Pois bem, posso tentar de novo, de outra forma. E ainda, posso tentar outra coisa. Não devo nem posso ser inflexível comigo. Ah, mas todos conseguiram ou todos conseguem; eu não consegui, e daí? Estou morto? A vida acabou?
 
Devo criar um padrão de personalidade adaptável e flexível no decorrer de fatos não consumados. Digo continuamente que crescer é dolorido.
 
Facilmente caímos em círculos crônicos de cobranças por aquilo que não deu certo, isso quando não transferimos nossos erros e desacertos a outrem.
 
Verifico com facilidade, embora não tenha feito psicologia, que existem zilhões de semelhantes inadaptados à suposta inflexibilidade da vida – quando que, o mundo gira ao redor do Sol, não de mim.
 
Repetida e de forma subjetiva, adquirem alguns, transtornos psicológicos de fácil identificação num rápido convívio. Percebo, entre vários transtornos, o transtorno de personalidade como sendo o mais comum atualmente.
 
Thomas A. Widiger, Ph. D. em psicologia, anuncia que o transtorno de personalidade “provém de personalidades inflexíveis e inadaptadas, que resultam em prejuízos significativos no funcionamento social ou ocupacional ou em sofrimento subjetivo, ou em ambos.” E explica que “consiste em padrões crônicos de comportamento, com um início precoce e insidioso”, ou seja, na maioria dos casos, provindos da tenra infância e de natureza não consciente; mas, segundo nota, tornam-se “evidentes no final da adolescência ou no início da vida adulta. Os pacientes com transtorno de personalidade são incapazes de responder de modo flexível e adaptável às mudanças e exigências da vida. Ao contrário, eles criam e exacerbam o estresse ao provocar reações aversivas nos outros, ao falhar em tomar decisões adequadas em sua vida social, ocupacional ou em outras situações de vida e ao criar situações problemáticas e patogênicas.

Ainda reforçando esse diagnóstico, cito uma frase de uma música de Renato Russo onde ele diz: “vivemos em um mundo doente”. E hoje, mais do que nunca, com o advento da internet acessível a quase todos, a ocorrência desse transtorno multiplica-se diante da facilidade que ela, a internet, propicia para que o mesmo torne-se ainda mais insidioso e recorrente, pois, o virtual nos “protege” de encarar a realidade nossa.
 
Muito optam em transferir sua inconsciente patologia em um vicioso círculo de ataques a semelhantes que em nada lhe causaram mal. Vemos essas ocorrências no mundo virtual, que nada mais é que um laboratório do mundo real.
 
Cabe ressaltar que, pessoas portadoras de tal disfunção, podem se tratar e tornarem-se lúcidas. O que for diferente dessa disposição, nada mais nada menos que alimentar ainda mais sua inaptidão ao autoconhecimento.
 
Então volto à frase destacada no início desse texto: “não espere pelo julgamento final” – ele deve partir de você para você, todos os dias. Por mais protegidos a vírus que venhamos estar, estamos sujeitos a desenvolvermos ruindades conosco que sempre, sempre afetam e afetarão nossos semelhantes, principalmente aqueles que nada tem a ver com nossas frustrações.

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