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quarta-feira, 27 de dezembro de 2023

POEMAS CONSENTIDOS

 

08.02.2006.
 
 
Violeta, nada mais a cor desse céu ululante
Gatos são animais engraçados e interesseiros
Lá naquele adiante, meus muitos travesseiros
Recolhi cansaço e estupidez
Por isso não me acho todo
Máquinas dão mil problemas
Tendem a desviar-me dos retos caminhos e
Mal saberia usar a crase, o ponto, a vírgula e, o ponto e vírgula
Minhas filhas estão pelos orfanatos desse
Meu coração é um rio e eu um outro que ainda vai nascer
Acho que sou kasaque, uzbeque, polaco
Minhas misérias não são nada mesquinhas e
Meu “muito pouco” não sei tampouco
Cadê as brancas gramas?
Cadê os céus vermelhos?
Cadê a Esperança, o Natalino e a Perpétua?
Sou para sempre nesse meteoro, desgoverno
Desregrado nessa tímida obrigação
Conjugação de poemas consentidos
Cinco ou seis bolsas de roupas
Vou me lembrar durante muito tempo
Esse céu é mais violeta que essas portas fechadas
Cadê as chaves desse céu?
Cadê meu chaveiro de tantas portas?

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