O ilícito sempre foi convidativo
Tudo que seja contrário aos parâmetros
Ser humano precisa de um desfecho improvável
Dá-lhe prazer, o inusitado
Filmes, livros de suspense são assim
Uma fuga do mero, do simples
A arte é uma ótima fuga
Existem outras, muitas outras...
Preciso da criação artística
Preciso de novidades
Preciso da invenção
Preciso de informação
Preciso da comunicação
Cabeças legais como um livro que se devora
Dias iguais são sempre muito chatos
O previsível é uma sopa fria e insossa
O “adequadinho”, a normatização
O tipo certo, a maneira correta, os bons modos
A única forma...
Como um vômito!
Preciso do inédito
Preciso do longínquo passado
Preciso da contaminação, da contradição
Preciso da variada interpretação
Não me contento com o absoluto
Sou assim talvez rebelde, mas ando próximo aos trilhos
Observo transeuntes dos mesmos
Iguais, normais e escravos
Prisioneiros de conceitos e preconceitos
Nasceram para fazer parte do “assim caminha a humanidade”
Vivem na coletividade, são patas da centopéia
Eu preciso ser A CENTOPÉIA!
Pretensão egocêntrica?!
Não! Liberdade excessiva, exagerada
Livre dos dogmas, tabus, mitos...
Receptivo a novas formas do pensamento
Inventivo; um pouco criatura, um pouco criador
Novamente angario fundos e mundos
Sustentáculo de minhas ruínas
Mas resido nelas e só nelas posso morar
Ser humano precisa da aventura, da amargura
Ser humano é meio normalidade, meio loucura
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