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sexta-feira, 15 de dezembro de 2023

FRÉDÉRIC CHOPIN - O Polonês Romântico?

 





Ballades, bourrées, concertos para piano e orquestra, concertos, ètudes, impromptus, lieders, mazurkas, nocturnes, nouvelles ètudes, piano sonatas, polonaises, prelúdios, scherzos, sonatas para violoncello e piano e valsas. Tenho de Chopin um pouco de cada em uma coleção. 

Ele morreu aos 39 anos de tuberculose. Considerava-se, segundo Roberto Minczuc, fora do mundo. Não suportava tocar em público e, no final da vida, perguntava-se tragicamente: "Para onde foi minha arte?" Chopin foi um dos músicos mais enigmáticos e geniais da história.

Segundo a pesquisadora Dominique Bosseur, "a figura mais representativa de certo romantismo arrebatado e doce, tumultuoso e efeminado". 

Um retrato completo de Chopin, entretanto, não pode prescindir de facetas que nada tem a ver com sua aura de anjo romântico. Como afirmou o pianista húngaro Andras Schiff, "há coisas sobre a personalidade de Chopin que preferiríamos não saber". Como seu antissemitismo. Mais de uma vez, ao negociar com editores ele os ofendeu. A Schlesinger chamou de "cão judeu" porque este lhe oferecia pouco por suas peças. Depois , o imbroglio foi com Pleyel, fabricante de pianos que lhe fornecia instrumentos de graça e bancava suas raríssimas aparições públicas. Pleyel também era editor e discutia preços para a publicação das obras de Chopin, quando este lhe escreveu: "Então limpe a bunda com elas (as músicas)". E voltou a negociar com Schlesinger, com o seguinte argumento: "Melhor negociar com um judeu do que com três".

Tais cenas não combinam com a imagem desamparada do compositor de nariz adunco, uma figura franzina de pouco mais de metro e meio de altura e mirrados 45 quilos. Todavia, a correspondência de Chopin está coalhada de palavrões e juízos ácidos.

Ele nasceu em 1º de março de 1810 em Zelazowa-Wola, na Polônia, de mãe polonesa e pai francês. 

Estudou e viajou muito. Conservador, horrorizou-se com o sucesso popular, em Viena, das valsas de Strauss. Sonhava em estabelecer-se por lá, mas sentiu que não poderia competir. "Chamam isso de obra musical", desdenhou feito a raposa da fábula com as uvas e voltou para casa.

Em Paris, onde morou por 18 anos, ganhava a vida dando aulas de piano a 20 francos. "Um assalto quando se é um mero professor, como afirmou Robert Schumann, "mas uma pechincha quando se trata de um gênio.

Em 1836, Chopin conheceu a escritora feminista George Sand, que não só adotou o nome masculino como se vestia com roupas de homem. Dois anos depois, formavam um casal curioso: ele, frágil e delicado; ela, despachada, fumando seus charutos em público, para horror da elite tradicionalista parisiense.

Chopin, na ocasião, era claramente cortejado pelo marquês de Custine, que encerrava as cartas ao compositor com um "beijo-te na boca". A desbocada Sand, no começo do relacionamento, chamava Chopin de "anjo", gíria parisiense da época para homossexual.

Haydn, Mozart e especialmente Bach contituem o núcleo da outra paixão vital do compositor. Ele nutria dúvidas sobre o que considerava momentos de falta de gosto em Beethoven, mostrava-se desinteressado pela música de Schumann, Berlioz e Lizst. Transformou-se num grande mestre do contraponto, por meio do estudo intensivo de Bach.

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