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sábado, 16 de dezembro de 2023

FRAGMENTOS DE NOVE CARTAS

 




Penso que, documentar fatos de nossa rápida passagem e, por muito insípida viagem da vida, torna-se necessário; dá um toque de beleza à mesma e facilita entender o que palpita, enternece e provoca o lançar-se.

Para concluir essa precária carta, direi que não pretendo te dar fragmentos de um Marcelo, pois nunca, as situações vividas, levaram de mim minhas reservas de disposição e ainda dizer que essa disposição de hoje, vem acompanhada de intuição e determinada vontade de tornar possível ser um pouco de sua felicidade.


São 15:36.
Passei o dia pensando em pouca coisa.  Dia de se pensar em muita coisa... dia de se pensar em pouca coisa. O pouco que pensei hoje foi em te escrever uma carta, mas fui adiando no passar das horas o máximo que pude, até que às 15:36, ouvindo “Gling Glo”, bateu uma vontade enorme de escrever para você essa carta. E assim estou a fazer.

Hoje concluí minha série de curiosidades da história antiga e penso em começar uma série sobre os grandes mestres da música clássica, só não sei se colocarei apenas os que eu gosto ou incluirei outros que também são ótimos, mas que eu não gosto. E nessa pensei: nem a obviedade interfere em nossas apreciações.

Desenvolvi daí um pensamento que me levou até você. Ontem você, sobriamente disse, no meio da conversa toda: “não consigo ver onde estão minhas palavras que te provocam tantas esperanças” – esperanças ou algo parecido. Fui dormir e isso me martelou durante os cinco minutos que demorei para desabar num sono tipo pedra.

Hoje pensei, no pouco que pensei hoje, que as OBVIEDADES são conceitos que criamos. O que é óbvio para mim, pode não ser para você. Outrossim, o que é óbvio para mim hoje, pode amanhã não ser. Então, nessa de pensar sobre essa liberdade que temos de concluir e “desconcluir” postei uma frase no Recanto, está aí embaixo:



"PULSO

Não estamos em repouso. Nunca seremos completos, previsíveis e uma tradição. Somos pulso. Mutáveis, agitação e um infinito depósito de particularidades."


Mas como te disse, pensei pouco hoje...

Serei feliz. Genialmente feliz sendo um mero expectador de tudo que se passa, de tudo que existiu e de tudo que existe. Descobrir, perceber, provar da beleza da vida não é para qualquer um e isso me enlouquece, de certa forma, ainda mais. Perfeição é o que vejo na natureza e na natureza genial de alguns poucos homens.

Ficarão minhas mazelas, minha “amada imortal” por mais que não pareça, ficarão minhas paixões, minhas coisas pelas quais resolvi fazer odes, os sons que me entorpeceram, as palavras que escrevi, onde meus pensamentos se materializaram. Ficarão minhas impressões sobre tudo que vi, senti, toquei, ouvi e interpretei.

Não sendo injusto, ficarão também as impressões daqueles que compartilharam comigo suas evidências e seus vereditos. Observo também que, muita coisa ao meu respeito se repetiu. Isso, de certa forma, me serviu de ração, alimento e regra ao meu jeito de ser. Pretensioso, despreocupado, péssimo aluno; embora que autodidata.


Em meus “projetos” tão bem “planejados”, quero desconfiar que seu nome estará sempre em meus pensamentos, em minhas falas, em meus textos e quem sabe, em minha vida.

O frio da manhã me obriga a encasacar-me, mas estou numa praça e precisava disso. Olhar montanhas, ver a vida quase parando, as pessoas sem pressa, chalés, poucos carros e a vida congelada nos dois sentidos.

Não sei quanto tempo vou aguentar a letargia do tempo, ao mesmo que penso ser essa a vida que quero: longa e lenta. Você sabe que isso é enraizadamente difícil para a minha contumaz agitação interior e exterior.

Há muito que não tento entender (ou não quero tentar) coisas simples, médias e complicadas. Predispus-me a simplesmente acordar e viver o dia que amanheceu. Hoje, “acidentalmente”, condicionado a pensar apenas em esquecer minha agitação. Meus problemas estão lá me esperando. Não há como fugir. Não fugi. Mas resolvi dar atenção minuciosa aos meus valores, sonhos, planos, projetos, executáveis ou não, possíveis ou não.

Fica meu beijo e uma musiquinha de gruja.

O que acontece comigo, deveria não repartir contigo, mas te digo que no momento, eu sinto você.

O dia começou lindo, como se fosse um dia especial e é.

Não há valor em nada que se arranca à força de ninguém, nem razão, nem plataforma segura para um proposto futuro. Você me ensinou isso hoje em menos de meia hora, sem dizer muito. Talvez uma boa noite de sono seja realmente necessária para que se concatenem (adoro essa palavra) melhor as ideias. E a sua proposta me sugestiona ao mesmo que algo lento (fora de meu ritmo), aquilo que sempre procurei: raízes.


Haveria hoje em mim uma forma de vida muito diferente, onde não me cabe mais perguntar como teria sido; sim projetar que hoje, com um esforço talvez “sobre-humano” eu consiga pôr fim a essa avalanche de horrores e decepções que se projetam facilmente em muitas de minhas poesias, onde também, quanto a esse hábito, não consigo ver como arte, mas delírios e terror.



Mais uma vez, feliz por você ser essa pessoa excepcional, atenciosa, gentil e sensível entre outras qualidades humanas que dou suprema relevância e me fazem destacar você de um mundo tão distante desses legítimos atributos humanos.


Obrigado por hoje.



Nesse belo tempo de minha existência, onde sofregamente pactuei contigo coisas de minha vida, de minha natureza, de meu passado, de meu presente, de meus sonhos, anseios e paixão, digo-te ter sido feliz.

Feliz por ter conhecido um pouco da delicadeza de tua alma.
Feliz por saber que te fiz rir, sorrir e até mesmo gargalhar.
Feliz por ter conseguido conversar migalhas de tudo em todas as linguagens possíveis.
Feliz por ter conseguido escrever poesias que se classificam como poesias de amor.
Feliz por ter ampliado minha visão em certas questões da vida.
Feliz porque consegui expurgar meus incômodos pesares do passado.
Feliz em cada palavra de carinho que sua voz e seus dedos me disseram.

Causaste em mim sensações que ficaram tatuadas. Provocaste em mim o renovo de uma história que nunca vivi. E mesmo que pareça brega: vivi emoções intensas nesse contato; ainda tão vivo e pulsante.






Durante o mês de Julho de 2012.

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