Poetas são na verdade uns preguiçosos
Pensam, vislumbram, amam na teórica do versejar
Sentados, esperando que aconteça o nada acontecer
Da paixão quase sempre dorida, céus e água do mar
Ondeia, diante de folhas do escrever
Poetas são na verdade os maiores covardes
Desestruturam, com o ritmo, no cavalgamento
Ouvido que lê suposta total lealdade
Quando quase sempre é apenas lamento
De alguém impotente para amar de verdade
Mas existem poetas
Mas existem as palavras
A sonoridade, a irregularidade
Existe a vida
Do amor à maldade
Existe a chegada
A partida
Existe sempre a saudade
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