Instagram: marcelo.braga73

quarta-feira, 27 de dezembro de 2023

CRÔNICA?!


30.05.2012.
 


 
Há dez dias que eu não pensava em algo substancial. Hoje pensei em pensar em algo substancial. Comecei indo ao galinheiro pegar um ovo de pata. Fritei e comi.

Lembrei-me então de um sonho de dez dias atrás onde nele, eu estava em lugar conhecido com pessoas que nunca vi, mas imagino que existam, pois sei seus nomes. Mas fora um sonho tipo prosa poética... original, inédito, no entanto, complicado demais para descrevê-lo. E ainda mais, as pessoas que estavam onde se passava o sonho meio que prosa poética, nada em comum com a Ilha do Governador, mas tinham com a prosa poética e descobri que uma delas tencionava no final do sonho me ensinar como soltar pipas a beira da Praia da Guanabara. Nunca gostei de soltar pipas e, a Praia da Guanabara na Ilha do Governador quase não possui areia, a água é suja e não tem ondas.

Mas eu quis insistir em um assunto substancial, enriquecedor, que acrescentasse algo. Então nessa, lembrei-me de dois documentários que assisti ontem. Mas no fundo, nenhum dos dois era documentário que pudessem despertar o interesse geral. Um falava sobre a personalidade humana no aspecto morfológico-fisiológico-psíquico e psicológico. O outro, sobre a entrada da música ocidental na Turquia. Enquanto os assistia, vibrava os assistindo, mas hoje pela manhã nem me pareceu tão vibrante assim.

Resolvi então apenas manter a vontade de pensar em algo substancial, mas de forma alguma escrever algo substancial e, isso parecia bom debaixo do Sol...

Então descobri que havia uma laje e de alguma forma eu não estava tão debaixo do Sol assim, embora o Sol já houvesse surgido e eu gostasse de escrever Sol e Lua com letra maiúscula, mesmo não sendo obrigatório e mesmo nas formas obrigatórias de escrita, sempre fujo por dois motivos: desconhecimento e despreocupação.

Enquanto pensava nessas coisas sem rumo, lamentei subitamente minha dificuldade em escrever crônicas, ou seja, em manter de forma agradável um assunto, com início, meio e fim, expondo um fato com ou sem meus pontos de vista. Pensei também no fator complicador disso tudo: a falta de prática e minha inapetência em manter pontos de vista.

Desisti por completo em pensar em algo substancial. Fiquei pensando em pensar, mas enquanto pensava, percebi que nem sempre pensar em alguma coisa possa ser uma boa decisão. Mas lembro-me que mesmo assim ainda pensei rapidamente no início e depois detalhadamente no final em coisas cotidianas. Planos alternativos de sobrevivência mesmo, algo não tão substancial assim, mas vital. Criei a situação do ovo de pata para iniciar uma conversa com alguém sobre minha decisão, mas meu estado de espírito hoje não estava em sintonia para conversar sobre meus planos, de novo, outra vez e novamente.

Então pensei que a tarefa de pensar e de escrever sobre aquilo que pensamos é algo muito solitário mesmo. Lembrei-me que costumo dizer que nossas dores são intransferíveis e resolvi ouvir algo bem underground para criar o clima de coitadinho que sofre sozinho e não tem com quem dividir aquilo que nem se pensou tanto assim.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

BUNKER DE ALVÍSSARAS SUSPEITAS

  12.02.2011. Nada que fale além do murmúrio das pedras que estalam no calor que as dilatam entre terrinhas e espinhos que crescem no escald...