17.07.2012.
Mas aí, o vento frio não estava facilitando minha compreensão; mesmo assim deixei que ele continuasse me importunando e não cedi. Esforcei-me para conviver pacificamente com temperaturas abaixo dos 20 graus... Coisa difícil a qualquer carioca...
Então, como eu ia dizendo; sim, coloquei sim o disco “Infidels” de 1983, quando o cantor larga sua rápida fase gospel e volta ao neo-folk e pensei: por que gosto de estilos tão pouco ouvidos?! A resposta, uma antiga conhecida minha, veio na hora e, me senti um tanto autossuficiente em algumas questões...
Tudo bem; deveria depois que classificar esse texto como crônica do dia 17 de julho; teria então que criar na mesma, um senso de direção, sem dispersividades. Já estava certo então que eu iria improvisar!
Improvisei um estudo “meticuloso” como nuvens na cabeça em rápida movimentação, onde minha memória (sendo sempre envolvida nessa coisa de datas e histórias) reativou subjetivamente épocas distintas que vivi em alguns já 17 de Julho passados por aí...
Fui parar nos onze palitos de fósforo sobre um rocambole de baunilha (acho que da Plus Vita), uma garrafa de um litro de Coca-Cola, a figura de tio Paulo barbudo com seu maço de Minister, minha falecida avó Leda Nolding com seu saião colorido, minha tia Aline Aida com seu rosto cheio de espinhas e a pequena cozinha do sobrado no Pechincha, bairro de Jacarepaguá.
Lembrei-me também de Menino Jesus, distrito de Muniz Freire, estado do Espírito Santo, numa grande fazenda de café, num bolo que continha uma vela com o número 18. Bolo feito por Edna Lopes, menina muito bonita, cuja foto e dedicatória me acompanharam em muitas andanças nesses 21 anos nulos subsequentes.
Ainda pensei muito no dia de ontem, onde acordei com uma disposição danada a descer a fria serra de Friburgo e retornar antes que o dia 17 de Julho de 2012 chegasse. Assim o fiz e cheguei a tempo.
Sobraram-me poucas lembranças de tal data. Verifiquei então que coisas importantes não devem nem possuem dias marcados para acontecer, tanto que nas viradas de ano, costumo estar inospitamente dormindo e meu sono é tão pesado, que nem os estrondos dos fogos de artifício me acordam. É sério, para tirar meu sono, não se tira com barulhos...
Pensei bem rapidamente ainda, no hospital Italiano no Grajaú no ano de 73, mas nenhuma lembrança substancial além de ouvir o médico plantonista da madrugada de 03:30 horas da manhã dizendo: “é homem, é flamenguista, carioca e muito besta!”
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