TRABALHO DE ESTÁGIO BÁSICO I EM PSICOLOGIA
PROFESSORA: RAFAELA MARTINS
ALUNO: MARCELO BRAGA DA SILVA
23/11/2022
O COMPROMISSO SOCIAL DA PSICOLOGIA NO
BRASIL
A OMS (Organização
Mundial da Saúde) em 1946, definiu saúde como um estado de completo
bem-estar físico, mental e social, e não apenas como a ausência de doença ou
enfermidade.
A sociologia
compreende que "O Estado de bem-estar social é uma concepção que abrange
as áreas social, política e econômica e que enxerga o Estado como a instituição
que tem por obrigação organizar a economia de uma nação e prover aos cidadãos o
acesso a serviços básicos, como saúde, educação e segurança. O Estado de
bem-estar social visa reduzir as desigualdades sociais decorrentes do capitalismo
para promover um modo de vida que leve uma condição mais humanitária às classes
trabalhadoras e às camadas mais pobres da população. "
Nesse trabalho de
melhorar as condições humanas diminuindo as desigualdades sociais, a área da
saúde está comprometida e organizada para atuar também nessa área.
A Psicologia entra
com o estudo do homem, considerando-se sua história, cultura e o seu ambiente.
Estuda o homem tanto no nível subjetivo, quanto no nível interpessoal e na sua
relação com o meio, de modo que tudo o que influencia a vida do homem ou está
em relação com ele é objeto da Psicologia.
Destaco abaixo
alguns dos Princípios Fundamentais do “Código de Ética Profissional do
Psicólogo” (agosto de 2005) pertinentes à proximidade do compromisso da profissão
com o social:
“ I. O psicólogo baseará o seu trabalho no respeito e na
promoção da liberdade, da dignidade, da igualdade e da integridade do ser
humano, apoiado nos valores que embasam a Declaração Universal dos Direitos
Humanos.
II. O psicólogo trabalhará visando promover a saúde e a
qualidade de vida das pessoas e das coletividades e contribuirá para a
eliminação de quaisquer formas de negligência, discriminação, exploração,
violência, crueldade e opressão.
III. O psicólogo atuará com responsabilidade social,
analisando crítica e historicamente a realidade política, econômica, social e
cultural.”
Ainda no “Código de
Ética Profissional do Psicólogo” em “das responsabilidades do psicólogo”
destaco:
Art. 1 – são deveres fundamentais dos psicólogos:
d) Prestar serviços profissionais em situações de calamidade
pública ou emergência, sem visar benefício pessoal;”
Pois bem, hoje temos
uma estrutura de nível internacional envolvendo acordos, conferências, tratados,
comissões e organizações que regulamentam o que seria “desenvolvimento”,
“desenvolvimento sustentável” e logo de início, se esclarece que
“desenvolvimento” é de longe acumulação e geração de riquezas.
Quando se refere
hoje aos paradigmas do desenvolvimento, tais como sustentabilidade, a
valorização da cultura, o espaço local, as relações sociais, a ética, a
solidariedade e o meio ambiente estão inclusos.
Um desenvolvimento
que busque o crescimento econômico aliado à qualidade de vida, gerando, acima
de tudo, benefícios sociais e culturais para a sociedade. Um desenvolvimento
que seja mais democrático e participativo, respeitando as tradições, os
costumes e as culturas locais, em contraposição a um modelo que visa à
acumulação de riquezas, não importando que o resultado seja a geração de
pobreza, exclusão social e desigualdades de todo o tipo.
Dessa estrutura de
desenvolvimento inclusivo a todos, histórica e cronologicamente, podemos citar
alguns eventos:
·
O
Clube de Roma, fundado em 1968, surge com o intuito de abrir caminho para o debate
de um vasto conjunto de assuntos relacionados à política, à economia
internacional e, sobretudo, ao meio ambiente e ao desenvolvimento sustentável.
·
Conferência
das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente, de 1972 realizada em Estocolmo
·
As
discussões em torno de formas alternativas de desenvolvimento ganham amplitude
em 1987, com o relatório “Nosso Futuro Comum”, organizado pela Comissão Mundial
sobre o Meio Ambiente.
·
A
partir da década de 1990, os parâmetros de um desenvolvimento sustentável
ganham uma nova configuração com conferências como a Rio 92 e os encontros que
se sucederam.
·
Conferência
das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, em 2012, no Rio de
Janeiro.
No entorno dessas
discussões sobre a melhoria conjunta, social e democrática da população, a
Psicologia aos poucos foi saindo de seu papel filosófico no momento do século
XIX que antecedia Wundt às contribuições e engajamentos que hoje vemos na
Psicologia Social e Comunitária. Mas para isso, o caminho percorrido foi longo.
Ana Mercês Bahia
Bock passeia no tempo ao discorrer sobre o desenvolvimento da Psicologia em
nosso país.
Relata o Brasil
colonial de formação predominantemente jesuítica, que tinham claramente a
finalidade de contribuir para o controle dos indígenas.
Com a vinda da Corte
Portuguesa para o Rio de Janeiro, grandes alterações sociais acontecem em uma
cidade que se aglomera sem condições básicas de vida. Os conteúdos psicológicos
aparecem então nas produções médicas para caracterizar as doenças da moral,
presente nas prostitutas, nos pobres e nos loucos. É o período da criação dos
grandes hospícios.
Na primeira metade
do século XX, luta-se pela modernização da sociedade brasileira. A defesa da
educação, da difusão do ensino, das ideias escolanovistas, vão embasar as
produções da época. A Psicologia vem, então, dar fundamentos e elementos para o
desenvolvimento destas novas ideias educacionais.
Em 1962, a
Psicologia foi definitivamente institucionalizada, através da Lei 4119, que
regulamentou a profissão no país. Cursos de Psicologia proliferaram no país,
associações profissionais e científicas, campos de trabalho foram surgindo.
Na década de 70,
mais precisamente em 1979, os psicólogos, inicialmente em São Paulo, mas
seguidos pelo Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pernambuco, Rio Grande do Sul e,
logo depois, Brasília, Ceará, Paraná, ocuparam ou criaram seus sindicatos. Os
Conselhos foram em seguida ocupados por grupos mais progressistas.
A década de 80
trouxe novos desafios aos psicólogos: a pequena, mas significativa, abertura do
mercado de trabalho no serviço público de saúde. Estava dada a largada para um
período em que os psicólogos iriam se perguntar e refletir sobre a relação de
seu trabalho e do próprio fenômeno psicológico com a realidade social.
Perguntei-me o
porquê do envolvimento tão direto e necessário da Psicologia com a Sociologia na
realidade brasileira e logo obtive resposta no texto de Ana Mercês. Em um antecipado
resumo: somos o país da desigualdade social. Como tratar um suposto TDAH sem
antes investigar se a criança está se alimentando em condições mínimas
sugeridas pela FAO (órgão da ONU para a alimentação)?
Considerando-se o
PIB, o Brasil ocupa, hoje, o lugar de 10ª economia mundial. Entre 174 nações, o
Brasil é a 10ª em produção de riqueza.
Mas, se
considerarmos, agora, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), o Brasil tem
outra classificação: somos a 79ª nação. Somos a 86ª em educação; temos altos
índices nas taxas de mortalidade infantil, analfabetismo, e baixos índices nas
condições de moradia e saneamento básico, em atendimento à população. E 15,8%
da população brasileira, ou seja, 26 milhões de pessoas, não têm acesso às
condições mínimas de saúde, educação e serviços básicos.
Nosso país vive um
drama, o drama do descaso da política com os menos favorecidos, o drama da
desigualdade social, o drama da violência, o drama dos altos impostos sem que
haja o devido retorno em bens e serviços públicos à população.
E o que nós,
psicólogos temos a ver com isto?
Nós, profissionais
da vida, não podemos deixar de considerar esse quadro, pois é dele que
tiramos as necessidades e demandas para a nossa profissão.
Podemos acreditar
que no conforto de nossos consultórios particulares estamos oferecendo um
serviço de contribuição ou interferência para a melhoria das condições de vida
– e, de alguma forma, numa pequena porção, sim – mas, não podemos camuflar as
limitações sociais gritantes que interferem na qualidade de vida de todos,
ricos e pobres, que sofrem com o descaso e desigualdade social
institucionalizado em nosso país.
Para finalizar,
friso que, o trabalho do psicólogo deve apontar para a transformação social,
para a mudança das condições de vida da população brasileira. Apontar no
sentido de se caracterizar um compromisso, uma perspectiva ética da profissão.
“Uma minoria que,
possuindo condições de comprar nossos serviços, foi por muito tempo usuária
deles. Queremos agora dar a volta por cima e construir uma profissão
identificada com as necessidades da maioria da população brasileira, uma
maioria que sofre, dadas as condições de vida que possui; uma maioria que luta,
dadas as condições de vida que possui. Identificar-se com as necessidades de
nosso povo e acompanhar o movimento destas necessidades, sendo capazes de
construirmos, sempre e permanentemente, respostas técnicas e científicas. É
este o nosso desafio.”
·
Brasil Escola.
·
“A Importância da Psicologia Social Comunitária
para o Desenvolvimento Sustentável” – Tania Maria de Freitas Barros Maciel e
Monalisa Barbosa Alves.
·
“A Psicologia a caminho do novo século:
identidade profissional e compromisso social” – Ana Mercês Bahia Bock
Nenhum comentário:
Postar um comentário